Na Madeira, quase todas as refeições começam da mesma forma: com um bolo do caco quente, aberto ao meio e barrado com manteiga de alho. Apesar do nome, não tem nada de doce. É um pão achatado e redondo, macio por dentro e com uma crosta fina.
O nome vem do caco, a pedra ou placa onde tradicionalmente se coze. O ingrediente que o distingue de outros pães é a batata-doce, que lhe dá humidade e um sabor ligeiramente adocicado.
Porque leva batata-doce
A batata-doce é um dos produtos mais característicos da agricultura madeirense. Na massa, retém humidade e deixa o miolo macio durante mais tempo.
A batata-doce de polpa amarela ou alaranjada dá mais cor e sabor. Deve ser cozida com pele, descascada e esmagada ainda morna, sem água a mais.
Ingredientes para 6 bolos
- 500 g de farinha de trigo;
- 250 g de batata-doce cozida e esmagada;
- 10 g de fermento seco de padeiro, ou 20 g de fermento fresco;
- 1 colher de chá de sal;
- cerca de 150 a 200 ml de água morna.
Para a manteiga de alho:
- 100 g de manteiga à temperatura ambiente;
- 3 a 4 dentes de alho;
- 1 colher de sopa de salsa picada.
Amassar e levedar
Numa taça grande, mistura-se a farinha com o sal e o fermento. Junta-se a batata-doce esmagada e vai-se acrescentando a água morna aos poucos, enquanto se amassa.
A quantidade de água depende da humidade da batata. A massa deve ficar macia e ligeiramente pegajosa, mas sem colar às mãos depois de bem trabalhada, o que leva cerca de 10 minutos.
Tapa-se a taça com um pano e deixa-se levedar num sítio morno, durante uma hora a hora e meia, até duplicar de volume.
Moldar e cozer sem caco
A massa divide-se em seis porções, que se moldam em bolas e se achatam com as mãos até terem cerca de dois centímetros de espessura. Deixam-se repousar mais 15 minutos sobre uma superfície enfarinhada.
Em casa, uma frigideira de ferro ou uma chapa de fundo grosso substituem o caco. Aquece-se em lume médio-baixo, sem gordura, e cozem-se os bolos 8 a 10 minutos de cada lado.
O lume demasiado forte é o erro mais comum: queima a crosta e deixa o centro cru. Bater na base do bolo ajuda a confirmar: deve soar a oco.
A manteiga de alho
Enquanto os bolos cozem, esmaga-se o alho com uma pitada de sal até formar uma pasta. Mistura-se com a manteiga mole e a salsa.
Os bolos abrem-se ao meio ainda quentes e barram-se por dentro com a manteiga. O calor derrete-a e espalha o aroma do alho pelo miolo.
Como se come na Madeira
O bolo do caco serve-se como entrada, mas também como sanduíche, recheado com carne de vinha d’alhos, prego ou espetada. Acompanha bem a carne de vinha d’alhos madeirense, cujo molho se aproveita no pão.
Os bolos que sobram congelam bem e regeneram-se numa frigideira quente. Para completar uma refeição madeirense, a sobremesa pode ser uma fatia de bolo de mel da Madeira.
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