Na Madeira, o bolo de mel não se corta com faca: parte-se com as mãos, numa tradição que simboliza a partilha e a união. É escuro, denso e perfumado, e conserva-se durante meses. Por isso se faz com antecedência, muito antes da mesa de Natal.
Um bolo do tempo do açúcar
Segundo o Visit Madeira, o bolo de mel tem origem no século XV, quando a ilha era um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar. O ingrediente que o distingue é o mel de cana, um xarope escuro feito a partir da cana, e não o mel das abelhas.
A massa é fermentada e rica em manteiga, banha, nozes e mel de cana, com especiarias, vinho Madeira e casca de citrinos cristalizada. A fermentação pode levar até três dias, consoante a receita.
Ingredientes (uma forma grande ou duas médias)
- 500 g de farinha de trigo
- 250 g de mel de cana
- 150 g de açúcar amarelo
- 125 g de manteiga
- 125 g de banha
- 20 g de fermento de padeiro fresco
- 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
- 1 colher (sopa) de canela em pó
- 1 colher (chá) de erva-doce moída e meia colher (chá) de cravinho moído
- raspa de 1 laranja e de 1 limão
- 100 ml de vinho Madeira
- 100 g de nozes partidas e 100 g de amêndoas inteiras
- 100 g de casca de laranja cristalizada, em pedacinhos
Preparação
- Derreter a manteiga e a banha em lume brando, juntar o mel de cana e o açúcar e mexer até dissolver. Deixar amornar.
- Desfazer o fermento em 4 colheres (sopa) de água morna.
- Numa tigela grande, misturar a farinha, o bicarbonato, as especiarias e as raspas.
- Juntar a mistura de mel ainda morna, o vinho Madeira e o fermento, e amassar até obter uma massa pesada e homogénea.
- Envolver as nozes, a casca cristalizada e metade das amêndoas.
- Tapar e deixar levedar num local ameno pelo menos 24 horas. A tradição admite até três dias.
- Passar para a forma untada, alisar e enfeitar com as amêndoas restantes.
- Cozer em forno a 160 graus durante cerca de 50 a 60 minutos, até um palito sair seco do centro.
- Deixar arrefecer na forma, desenformar e embrulhar em papel vegetal.
Como servir e guardar
Serve-se aos pedaços, partidos à mão. Bem embrulhado, numa lata e num local fresco e seco, mantém-se bom durante meses, o que permite fazê-lo já em novembro.
Da mesma ilha vem outro clássico das festas, a carne de vinha d’alhos com três dias de marinada.