Gastronomia

Sardinhas doces de Trancoso: um doce conventual de fazer crescer água na boca

Sardinhas doces de Trancoso: um doce conventual de fazer crescer água na boca
Sardinhas doces de Trancoso: um doce conventual de fazer crescer água na boca

As sardinhas doces de Trancoso não têm peixe nem sequer a forma exata de uma sardinha. São pequenos pastéis de massa tenra frita, recheados com ovos moles de amêndoa e mergulhados em chocolate. Desde 2010, a Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso protege e divulga o doce.

Um doce conventual com uma dúvida no meio

Segundo testemunhos recolhidos pelo site noponto.pt, como o de D. Maria Rosa Andrade, a receita terá vindo do antigo Convento de Santa Clara de Trancoso. O artigo considera esta origem muito provável, mas admite que é difícil saber como a receita chegou até hoje.

Há um pormenor que intriga: o chocolate é invulgar na doçaria conventual, e pode ter sido acrescentado mais tarde.

Também ninguém sabe ao certo porque uma vila do interior deu a um doce o nome de um peixe. Trancoso tem, aliás, outras histórias difíceis de acreditar, como a do padre com 299 filhos.

Ingredientes (cerca de 20 unidades)

  • Massa: 250 g de farinha, 50 g de manteiga derretida, 1 pitada de sal e cerca de 125 ml de água morna.
  • Recheio: 200 g de açúcar, 100 ml de água, 6 gemas e 100 g de amêndoa moída.
  • Cobertura: 150 g de chocolate de culinária e 2 colheres de sopa de leite.
  • Óleo para fritar.

Preparação

  • Levar o açúcar e a água ao lume até fazer ponto de fio. Retirar e juntar a amêndoa.
  • Deixar amornar, juntar as gemas desfeitas e voltar a lume brando, mexendo sempre, até o creme engrossar e se ver o fundo do tacho. Deixar arrefecer por completo.
  • Misturar a farinha, o sal e a manteiga, e juntar a água aos poucos até obter uma massa macia que não se cole às mãos. Amassar bem, tapar e deixar descansar 30 minutos.
  • Estender a massa muito fina e cortar retângulos com cerca de 8 por 5 cm.
  • Pôr uma colher de chá de recheio em cada retângulo, fechar em forma alongada e apertar bem as pontas, uma delas mais larga, como uma cauda.
  • Fritar em óleo quente, poucas de cada vez, até dourarem. Escorrer em papel absorvente e deixar arrefecer.
  • Derreter o chocolate com o leite em banho-maria, mergulhar cada sardinha e deixar secar sobre uma rede.

Os cuidados que fazem a diferença

O recheio tem de estar frio antes de entrar na massa. Quente, amolece a massa e faz rebentar as sardinhas na fritura.

A massa deve ficar tão fina quanto possível, sem rasgar. Uma massa grossa fica pesada e rouba protagonismo aos ovos moles.

Para quem gosta deste tipo de recheio, a história dos ovos moles de Aveiro mostra como as gemas e o açúcar marcaram a doçaria dos conventos.

Fontes

Sobre o autor

VxMag

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