Os dióspiros portugueses chegam às bancas em outubro e novembro, sobretudo do Algarve, onde se concentra a produção nacional.
Nem todos se comem da mesma maneira. Os de polpa dura podem comer-se firmes, como uma maçã. Os de polpa mole só devem ser comidos quando estão bem maduros e macios: antes disso, deixam a sensação áspera de boca “amarrada”.
Uma fruta da época sabe sempre melhor
Segundo a Câmara Municipal do Porto, a época do dióspiro nacional vai de outubro a novembro e pode prolongar-se até dezembro. É agora que a fruta aparece em maior quantidade nos mercados e nos quintais.
Saber de que tipo é o fruto evita deitar fora dióspiros que só precisavam de mais alguns dias para amadurecer.
Polpa dura ou polpa mole: as variedades
| Polpa dura | Polpa mole | |
|---|---|---|
| Variedades | Fuyu, Hana Fuyu, O Gosho, Giro, Cal-Fuyu, Fau-fau, Sharon | Coroa de Rei, Kaki, Roxo Brilhante |
| Quando comer | Logo após a colheita, ainda firme | Só quando está bem maduro e mole |
| Se for comido cedo demais | Sem problema | Deixa a boca áspera e “amarrada” |
A variedade nem sempre vem indicada na banca. Em caso de dúvida, vale a pena perguntar ao vendedor.

Porque alguns amarram a boca
A responsabilidade é dos taninos solúveis presentes na polpa. Uma revisão científica publicada na revista Ciência Rural (Edagi e Kluge, 2009) explica que são estes compostos que dão a sensação adstringente.
A adstringência desaparece quando os taninos deixam de ser solúveis. Isso acontece quando se acumula na polpa uma substância chamada acetaldeído, que liga os taninos entre si e os transforma num composto insolúvel, que já não “amarra”.
A indústria aproveita este mecanismo com tratamentos em atmosfera sem oxigénio ou com vapor de etanol. A mesma revisão lembra que, na Ásia, de onde a espécie é originária, existem mais de 2000 variedades, e a maioria é adstringente.
Como guardar e comer
- Os dióspiros ainda verdes devem ficar num local fresco e bem arejado, para acabarem de amadurecer.
- Os maduros podem ir para o frigorífico, mas aguentam no máximo 4 a 5 dias.
- Comem-se ao natural ou com canela e também funcionam em saladas, com iogurte ou requeijão, em batidos, sumos, mousses e recheios de tartes.
Quando há fruta madura a mais, uma alternativa é o doce de dióspiro à moda antiga.
NOTA DO AUTOR
No tempo dos nossos avós, apenas se comia fruta da época. Hoje em dia, todas as frutas estão disponíveis em qualquer época do ano.
Por muito que pareça conveniente, há detalhes que merecem a sua (nossa) atenção. A fruta da época é quase sempre muito mais nutritiva. Além disso, não costuma ser pulverizada com hormonas que atrasam ou estimulam o seu amadurecimento.
Nas bancadas dos supermercados, a fruta que não é da época costuma ter duas origens possíveis: ou foi congelada quando foi produzida ou veio de países distantes.
Qualquer uma das opções, retira-lhe qualidades e nutrientes. E não apenas isso: se por acaso lhe apetecer comer uvas na primavera, vindas de países tão distantes como o Chile, pense na quantidade de energia e poluição que se produziu só para trazê-las até Portugal.
Num planeta cada vez mais frágil, cada pequeno gesto conta. E as frutas da época, como o dióspiro, não são apenas mais nutritivas e baratas: são também melhores para o ambiente. Vale a pena pensar nisso.
Fontes
- Câmara Municipal do Porto: Dica Nutritiva n.º 172, dióspiro
- Edagi, F. K. e Kluge, R. A. (2009). Remoção de adstringência de caqui: um enfoque bioquímico, fisiológico e tecnológico. Ciência Rural, 39(2), 585–594