Com a chegada do frio, há percevejos castanhos a aparecer nas janelas, nos cortinados e nas caixas de estore.
Podem ser percevejos-asiáticos (Halyomorpha halys), uma espécie invasora confirmada em Portugal em 2018. Segundo a DGAV, não mordem, não picam e não transmitem doenças.
O mais indicado é aspirá-los, sem os esmagar, e registar o achado na plataforma BioDiversity4All.
Porque aparecem agora
Este percevejo procura abrigo nas casas para passar o inverno. Um estudo publicado em 2023 na revista Arquivos Entomolóxicos, com investigadores da Universidade de Coimbra, mostrou que a maior parte dos registos em Portugal surgiu entre setembro e março, dentro de casa ou junto a portas e janelas.
Nos Estados Unidos, onde a espécie é praga há mais tempo, a Universidade Estadual da Pensilvânia descreve o mesmo padrão. Os percevejos são atraídos para as casas nos dias amenos de outono e podem entrar em grande número.
Em Portugal, a espécie está a espalhar-se depressa. O primeiro registo confirmado foi em novembro de 2018, na Guia (Leiria). Segundo o laboratório da Universidade de Coimbra que acompanha a espécie, já chegou ao litoral centro e norte, ao interior norte, ao litoral sul e à ilha da Madeira.
Como distinguir de um percevejo europeu parecido
Há percevejos europeus muito parecidos. A ficha técnica das autoridades britânicas de sanidade vegetal (Defra e Fera, 2025) aponta os pormenores que separam o percevejo-asiático do Rhaphigaster nebulosa, um dos mais confundidos:
| Percevejo-asiático | Rhaphigaster nebulosa | |
|---|---|---|
| Tamanho | 12 a 17 mm | 14 a 16 mm |
| Ponta das asas (parte membranosa) | Faixas escuras | Manchas pretas irregulares |
| Parte de baixo do abdómen | Sem espinho | Espinho longo, virado para a frente, entre as patas do meio e as de trás |
| Antenas | Faixas claras no 4.º segmento e no início do 5.º | — |
O espinho na parte de baixo é o pormenor mais seguro, mas obriga a virar o inseto. Numa fotografia tirada de cima, as faixas claras nas antenas e as faixas escuras na ponta das asas ajudam a reconhecer o percevejo-asiático.
O que fazer quando entram em casa
- Aspirar os percevejos, vivos ou mortos. O aspirador pode ficar com o cheiro durante algum tempo.
- Não os esmagar com as mãos: o contacto pode irritar a pele, e as pessoas sensíveis ao odor podem ter rinite ou conjuntivite.
- Vedar frinchas em janelas, portas e passagens de tubos com silicone, o método que a Universidade Estadual da Pensilvânia considera mais eficaz.
- Evitar inseticidas dentro de casa, que a mesma fonte não aconselha.
- Fotografar e registar no projeto «Percevejo asiático (Halyomorpha halys) PT», na BioDiversity4All. São estes registos que permitem aos investigadores seguir a expansão da espécie.
Os percevejos não se reproduzem dentro de casa nem danificam a estrutura. O problema maior é agrícola: a DGAV pede aos agricultores que vigiem as máquinas e as mercadorias que entram nas explorações.
Tal como a vespa-asiática, é uma espécie invasora em que os registos dos cidadãos fazem diferença. Já as aranhas que aparecem em casa nesta época têm outra explicação.

Fontes
- Gaspar et al. (2023): Exponential outspread of Halyomorpha halys in Portugal, Arquivos Entomolóxicos 26
- FlowerLab, Universidade de Coimbra: nova publicação sobre a expansão de H. halys
- DGAV e DRAP: nota sobre o percevejo asiático (15/10/2019)
- Penn State Extension: Brown Marmorated Stink Bug
- Defra e Fera: Plant Pest Factsheet, Brown marmorated stink bug (2025)