Com a queda da folha, os grandes ninhos da vespa-asiática ficam mais fáceis de ver no alto das árvores.
São bolas castanhas, redondas ou em forma de pera, que podem ter entre 50 e 80 centímetros de diâmetro. Quem encontrar um deve reportar o caso na plataforma STOPvespa, do ICNF, e não tentar destruí-lo.
Porque o outono conta
A vespa-asiática (Vespa velutina) constrói primeiro um ninho pequeno, com 5 a 10 centímetros, e depois um ninho definitivo, muito maior, quase sempre em árvores altas. Segundo a DECO, a maioria fica acima dos 10 metros de altura.
Uma nota informativa da Câmara de Vila Franca de Xira explica porque estes ninhos são decisivos: cada um pode albergar cerca de 2000 vespas e 150 fundadoras, as futuras rainhas que dão origem a novos ninhos no ano seguinte. Um ninho localizado a tempo evita que essas fundadoras se espalhem.
O ICNF considera a destruição dos ninhos o melhor método para limitar o impacto da espécie a nível local. As armadilhas só são recomendadas em situações de predação intensa nos apiários, porque apanham também outros insetos.
Como distinguir da vespa-europeia

A vespa-europeia (Vespa crabro) é nativa e tem um tamanho semelhante. A diferença vê-se sobretudo nas cores:
| Vespa-asiática | Vespa-europeia | |
|---|---|---|
| Corpo | Preto ou castanho-escuro aveludado, com faixas amarelas finas e um único segmento quase todo laranja-amarelado | Amarelo-claro com riscas pretas |
| Cabeça | Preta, com a face laranja-amarelada | Com a frente amarela |
| Patas | Metade inferior amarela | Pretas e acastanhadas |
| Tamanho | Rainhas com cerca de 3 cm; obreiras com cerca de 2,5 cm | Rainhas de 2,5 a 3,3 cm |
As patas amarelas são o pormenor mais fácil de reconhecer numa fotografia.
O que fazer ao encontrar um ninho
- Afastar-se e não mexer no ninho: estas vespas podem atacar em grupo.
- Tirar uma fotografia de longe e registar a localização.
- Reportar no STOPvespa, pela Linha SOS Ambiente (808 200 520) ou junto da câmara municipal ou da junta de freguesia.
- Nunca destruir o ninho só em parte, nem usar armas de fogo. O ICNF avisa que isso dispersa as vespas, que vão formar novos ninhos.
Em caso de picada, a DECO aconselha lavar com água e sabão e aplicar frio. Dificuldade em respirar ou inchaço da cara são motivo para ligar de imediato para o 112.
NOTA DO AUTOR
A Vespa-asiática entrou de mansinho em Portugal vinda, provavelmente, num cargueiro de contentores. No nosso país, encontrou as condições ideais para se multiplicar. Com o tempo, acabou por se tornar numa praga e os seus impactos no meio ambiente português (e europeu) podem ser catastróficos.
Não é, no entanto, a única espécie invasora em Portugal e talvez não seja a mais perigosa a longo prazo. O eucalipto encabeça a lista, certamente: uma árvore que suga toda a água do solo, desertifica-o e que produz um óleo que impede que nada mais cresça em seu redor.
É também impossível não mencionar as acácias e a erva-das-pampas. A primeira foi introduzida no nosso país com a nobre intenção de fixar a areia das dunas mas cedo se revelou um erro trágico. A segunda terá sido trazida para enfeitar jardins, mas espalhou-se por vários locais do país. Ambas impedem várias espécies autóctones de se desenvolver.
Quanto à Vespa-asiática, a batalha é difícil, mas não impossível. Mas para que seja eficaz, devemos todos participar nela, denunciando os ninhos assim que estes são avistados. A defesa da Natureza depende, em primeiro lugar, de si.
Fontes
- ICNF: informação sobre a Vespa velutina
- ICNF: plataforma STOPvespa
- DECO PROteste: vespa-asiática, aprenda a reconhecer
- Câmara Municipal de Vila Franca de Xira: nota informativa sobre a Vespa velutina