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Porque se escrevia 100$00: o cifrão que separava escudos de centavos até à chegada do euro

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Set 26, 2026
in História
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Porque se escrevia 100$00: o cifrão que separava escudos de centavos até à chegada do euro

Porque se escrevia 100$00: o cifrão que separava escudos de centavos até à chegada do euro

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Quem viveu antes de 2002 lembra-se bem dos preços escritos assim: 2$50, 100$00, 1.500$00. Para as gerações mais novas, parece estranho. Porque havia um cifrão no meio do número, e não antes ou depois, como no dólar?

A resposta está numa convenção muito portuguesa. No escudo, o cifrão não indicava apenas a moeda. Fazia o papel da vírgula.

Esta forma de escrever acompanhou os portugueses durante mais de 90 anos, nas etiquetas das lojas, nos talões, nos cheques e nas contas de todos os dias.

O cifrão no lugar da vírgula

No escudo, o cifrão era usado como separador entre os escudos e os centavos. Um escudo tinha 100 centavos. Assim, 2$50 queria dizer dois escudos e cinquenta centavos, e 100$00 correspondia a cem escudos certos.

Esta escrita tinha uma vantagem prática: o símbolo identificava a moeda e marcava as casas decimais ao mesmo tempo.

Uma herança dos réis

O escudo foi criado a 22 de maio de 1911, pouco depois da implantação da República. Segundo a Infopédia, substituiu o real à razão de um escudo por mil réis.

O cifrão já era usado antes, na contagem em réis. Escrevia-se 1$000 para mil réis, e o símbolo separava os milhares. Com a nova moeda, a notação manteve-se, mas passou a separar escudos de centavos.

Por isso, 1$000, antes de 1911, e 1$00, depois, podiam confundir-se a um olhar rápido, mas liam-se de forma diferente: o primeiro era mil réis, o segundo um escudo. Na prática, valiam exatamente o mesmo.

O conto, mil escudos

Da mesma época vem uma palavra que ainda hoje se ouve: o conto. Nos tempos dos réis, um conto de réis correspondia a um milhão de réis. Como um escudo valia mil réis, o conto passou a significar mil escudos.

Escrevia-se 1:000$00, com dois pontos a separar os milhares. Frases como custou três contos ou ganhava cem contos por mês atravessaram todo o século XX e ainda hoje se usam, por hábito, para falar de dinheiro.

  • 2$50: dois escudos e cinquenta centavos
  • 100$00: cem escudos
  • 1:000$00: mil escudos, ou um conto

A despedida em 2002

A taxa de conversão foi fixada a 31 de dezembro de 1998: um euro passou a valer 200,482 escudos. As notas e moedas de euro entraram em circulação a 1 de janeiro de 2002, e o escudo deixou de ter curso legal a 28 de fevereiro desse ano.

As últimas notas de escudo ainda puderam ser trocadas no Banco de Portugal até 28 de fevereiro de 2022. Desde então, já não há forma de as converter em euros. Durante a transição, os preços foram afixados nas duas moedas, para ajudar a população a habituar-se às novas contas.

O erro mais comum de quem guarda notas antigas é pensar que ainda podem ser trocadas no banco. Hoje, o seu valor é apenas de colecionador. Algumas, ainda assim, valem bem mais do que o valor facial, como mostram as notas de escudo mais valiosas. E no mesmo século em que o cifrão reinava, nasceu outra revolução: o Multibanco, em 1985.

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