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Ir para o maneta: a expressão que nasceu do general francês sem um braço que saqueou Évora

Ir para o maneta: a expressão que nasceu do general francês sem um braço que saqueou Évora
Ir para o maneta: a expressão que nasceu do general francês sem um braço que saqueou Évora

Quando um aparelho avaria de vez, um plano falha ou um objeto se parte sem conserto, há quem diga que «foi para o maneta». A expressão é usada sem pensar, mas esconde uma das memórias mais duras das invasões francesas.

O «maneta» não é uma figura genérica. Era um general de Napoleão, com nome e apelido, que deixou em Portugal uma reputação terrível.

O que significa

Segundo o dicionário da Infopédia, «ir para o maneta» tem três sentidos principais:

  • ser destruído ou ficar estragado;
  • avariar;
  • morrer.

Há também a forma «mandar para o maneta», no sentido de destruir alguém ou alguma coisa. Hoje, é usada sobretudo em tom coloquial e até humorístico, para falar de um telemóvel que deixou de funcionar ou de umas férias que correram mal.

A palavra «maneta», por si só, designa quem não tem uma mão ou um braço. Forma-se a partir de «mão», com o sufixo «-eta».

Loison, o general maneta

O homem por trás da expressão é Louis Henri Loison, general do exército francês que entrou em Portugal na primeira invasão, comandada por Junot, em 1807. Tinha perdido o braço esquerdo num acidente de caça, em fevereiro de 1806.

Os portugueses chamavam-lhe simplesmente «o Maneta». Segundo o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, ficou conhecido pela crueldade com que tratava os prisioneiros e as populações que resistiam à ocupação.

O saque de Évora

O episódio mais lembrado aconteceu a 29 de julho de 1808. As tropas comandadas por Loison entraram em Évora, que se tinha revoltado contra os franceses, e a cidade foi saqueada.

Morreram pelo menos 2000 pessoas, entre soldados portugueses e espanhóis e muitos habitantes da cidade. Igrejas e casas foram pilhadas, e o episódio ficou gravado na memória coletiva do Alentejo.

Depois de acontecimentos como este, cair nas mãos do general significava, muitas vezes, a morte. Daqui nasceu a ideia de que «ir para o Maneta» era desaparecer sem remissão.

Uma expressão que sobreviveu ao general

Loison saiu de Portugal com o exército francês, depois da derrota de Junot em 1808. A expressão, essa, ficou e espalhou-se por todo o país, passando de geração em geração muito depois de a guerra terminar.

Com o tempo, perdeu o peso trágico original. Quem hoje diz que o computador «foi para o maneta» raramente imagina que está a evocar um episódio de guerra com mais de dois séculos.

O Ciberdúvidas refere ainda uma quadra popular da época que juntava os nomes dos generais franceses: «Jinot, Laborde e Maneta». As três figuras eram vistas como símbolos da ocupação.

Outras marcas das invasões na língua

As invasões francesas deixaram outras marcas no português, em expressões e alcunhas que se mantiveram nas aldeias e vilas por onde passaram as tropas. Muitas acabaram por se perder, mas «ir para o maneta» resistiu.

A resistência portuguesa também deixou histórias de sinal contrário, como a dos pescadores de Olhão que venceram as tropas de Napoleão. E para quem gosta de descobrir de onde vêm as palavras do dia a dia, há a curiosa origem de 27 expressões populares portuguesas.

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