É das palavras que mais dizemos ao longo do dia. No café, no supermercado, ao telefone. Mesmo assim, continua a gerar dúvidas: uma mulher que agradece a um homem deve dizer obrigado ou obrigada? E um grupo de amigos, diz obrigado ou obrigados?
A resposta é simples e tem uma explicação gramatical clara. A palavra concorda sempre com quem agradece, e nunca com quem recebe o agradecimento.
Uma palavra que é um particípio
O segredo está na origem de obrigado. Segundo o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, obrigado é o adjetivo verbal, ou particípio passado, do verbo obrigar, e por isso varia em género e em número.
Quem diz obrigado está, na prática, a declarar que se sente em dívida para com a outra pessoa. Como qualquer adjetivo que descreve quem fala, acompanha o género e o número de quem o diz.
- Um homem diz obrigado
- Uma mulher diz obrigada
- Um grupo de homens, ou um grupo misto, diz obrigados
- Um grupo só de mulheres diz obrigadas.
O mesmo vale para a expressão muito obrigado. Uma mulher dirá muito obrigada, e um grupo dirá muito obrigados, sempre de acordo com quem fala.
Do latim obligatus
A palavra vem do latim obligatus, particípio de obligare, que queria dizer ligar ou atar. Ao longo do tempo, o sentido deslizou de ficar ligado para ficar em dívida e, por fim, para ficar grato.
Este percurso ajuda a perceber porque a palavra se mantém variável. Tal como uma pessoa pode estar cansada ou cansado, também pode estar obrigada ou obrigado. O que conta é quem sente a gratidão.
Noutras línguas românicas, o agradecimento seguiu outro caminho. O castelhano gracias e o italiano grazie vêm do latim gratia, que significa graça, e por isso não variam. O português escolheu uma palavra que descreve o estado de quem agradece, e é daí que nasce a concordância.
E o mito do arigatô?
Circula há muito a ideia de que a palavra japonesa arigatô teria nascido do obrigado dos navegadores portugueses. A coincidência sonora é curiosa, mas não passa disso.
O mesmo Ciberdúvidas classifica essa história como um mito. A palavra japonesa tem origem própria, anterior aos contactos com os portugueses, e a semelhança é apenas acidental.
Como responder a um obrigado
Também há dúvidas na resposta. O Ciberdúvidas indica que a resposta preferível é obrigado eu, ou obrigada eu, conforme quem responde, para devolver a gratidão. Entre amigos, esta fórmula tem um tom caloroso, porque sublinha que o agradecimento é mútuo.
Outras respostas são igualmente aceites, como eu é que agradeço ou, simplesmente, de nada. A escolha depende do contexto e do grau de formalidade da conversa. Ao balcão de uma loja ou num serviço, de nada continua a ser a resposta mais habitual.
O erro mais comum é a mulher dizer obrigado por achar que a palavra é invariável, ou ajustá-la ao género de quem ouve. Nenhuma das duas faz sentido à luz da gramática. Para outras dúvidas frequentes, vale a pena ler sobre quando usar porque, por que, porquê e por quê e descobrir porque o cê-cedilha não faz parte do alfabeto.
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