Na madrugada de 25 de outubro de 2026, último domingo do mês, os relógios em Portugal voltam a atrasar uma hora. No continente e na Madeira, às 2h00 passam a ser 1h00; nos Açores, às 1h00 passa a ser meia-noite.
A mudança repete-se há décadas, e todos os anos volta a mesma pergunta: porque continua a existir, se a União Europeia chegou a propor o seu fim?
Uma regra europeia
A data da mudança não é escolhida por cada país. Desde 2000, uma diretiva europeia fixa a passagem para a hora de verão no último domingo de março e o regresso à hora de inverno no último domingo de outubro.
A regra comum evita confusões nos transportes, nas comunicações e no comércio entre países. Em Portugal, a referência oficial da hora legal é o Observatório Astronómico de Lisboa.
Telemóveis e computadores acertam a hora sozinhos. Já os relógios do carro, do forno e do micro-ondas precisam, quase sempre, de ser mudados à mão.
Em março, a passagem para a hora de verão faz o contrário e retira uma hora à noite de sábado para domingo.
Desde quando muda a hora em Portugal
Portugal adotou a hora de verão pela primeira vez em 1916, a 17 de junho, em plena Primeira Guerra Mundial. A ideia era aproveitar melhor a luz do dia e poupar energia.
Ao longo do século XX, o país mudou várias vezes de regime. Entre 1992 e 1996, chegou a usar a mesma hora da Europa Central, alinhada com Espanha, mas a experiência foi abandonada, com relatos de manhãs demasiado escuras durante o inverno.
Não foi a única mudança de hábitos com impacto no dia a dia. Em 1928, por exemplo, Portugal passou a conduzir pela direita.
A proposta que ficou parada
Em 2018, a Comissão Europeia lançou uma consulta pública sobre o tema. Recebeu 4,6 milhões de respostas, e 84% defenderam o fim das mudanças de hora.
Nesse mesmo ano, a Comissão propôs acabar com a mudança, e o Parlamento Europeu aprovou a ideia em 2019. Mas a proposta precisava também do acordo dos governos, no Conselho, e foi aí que ficou bloqueada.
O problema é que cada país teria de escolher entre ficar para sempre na hora de verão ou na hora de inverno. Sem coordenação, a Europa poderia acabar com um mosaico de fusos horários entre vizinhos.
O ponto de situação
Em março de 2026, segundo o ECO, a Comissão Europeia considerou ainda possível acabar com a mudança da hora e anunciou um estudo até ao fim do ano. Até haver decisão, a regra mantém-se.
Como preparar a mudança
A hora de inverno traz uma hora extra de sono na noite da mudança, mas também fins de tarde mais escuros. Algumas medidas simples ajudam:
- deitar um pouco mais tarde nos dias anteriores, sobretudo no caso das crianças;
- aproveitar a luz da manhã, que ajuda o corpo a ajustar-se;
- confirmar os horários de comboios, voos ou turnos marcados para a madrugada de domingo.
Na prática, na manhã de domingo, 25 de outubro, basta acertar os relógios que não mudam sozinhos e aproveitar a hora a mais.