Escreve-se «há de», sem hífen. O mesmo vale para «hei de», «hás de» e «hão de». A regra está escrita no próprio Acordo Ortográfico de 1990, mas a forma antiga, com hífen, continua a aparecer em mensagens, cartazes e até em legendas.
O que diz o Acordo Ortográfico
A Base XVII do Acordo Ortográfico é clara: «Não se emprega o hífen nas ligações da preposição de às formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de, hão de, etc.»
Antes do Acordo, a norma usada em Portugal ligava estas formas com hífen: «hei-de», «há-de», «hão-de». Quem aprendeu a escrever assim tem tendência a manter o hábito, e por isso as duas grafias convivem ainda hoje.
A conjugação completa, antes e depois
A mudança só afetou as formas de uma sílaba. «Havemos de» e «haveis de» nunca levaram hífen.
| Pessoa | Como se escreve hoje | Grafia antiga |
|---|---|---|
| eu | hei de | hei-de |
| tu | hás de | hás-de |
| ele, ela, você | há de | há-de |
| nós | havemos de | havemos de |
| vós | haveis de (ou heis de) | haveis de (ou heis-de) |
| eles, elas | hão de | hão-de |
Os erros que ainda se veem
- «Hádem» ou «hão-dem»: não existem. A forma correta é «hão de», como em «eles hão de chegar».
- «A de» em vez de «há de»: «isto a de correr bem» está errado. Como se trata do verbo haver, leva sempre o h.
- Hífen em «havemos de»: nunca existiu, nem antes nem depois do Acordo.
Um teste rápido: se a frase aceita «vai» ou «tem de» no mesmo lugar, como em «há de chover» e «vai chover», trata-se do verbo haver, e escreve-se «há de», separado e com h. O Dicionário Priberam regista a conjugação completa do verbo.
Outra dúvida frequente com grafia que mudou ou confunde é a de «bem-vindo» ou «benvindo».