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Palavras da língua portuguesa com origem árabe que usamos todos os dias

Palavras da língua portuguesa com origem árabe que usamos todos os dias, de alface a almofada, herança de quase oito séculos de presença árabe na Península Ibérica.

Palavras da língua portuguesa com origem árabe que usamos todos os dias
Palavras da língua portuguesa com origem árabe que usamos todos os dias

Alface, almofada, azeite, açúcar. Palavras que dizemos todos os dias, sem pensar duas vezes — e que, na verdade, vieram do árabe, herança de quase oito séculos de presença árabe na Península Ibérica.

Alface

Vem do árabe al-khass, a mesma planta que hoje comemos em saladas. A palavra árabe substituiu progressivamente o termo latino “lactuca”, de onde vêm o francês laitue, o espanhol lechuga e o inglês lettuce — o português é uma das poucas línguas latinas em que o termo árabe se impôs por completo.

Almofada

Do árabe al-mihaddah, praticamente sem alteração de som até à forma portuguesa atual. É um dos muitos exemplos de palavras árabes ligadas ao conforto doméstico que entraram no vocabulário português durante a ocupação árabe da Península.

Azeite e azeitona

Ambas derivam da mesma raiz árabe, az-zayt, “sumo da azeitona”. A produção e o comércio de azeite já eram atividades relevantes na Península Ibérica antes da chegada dos árabes, mas foi o vocabulário árabe que acabou por prevalecer sobre os termos latinos anteriores.

Açúcar

A palavra percorreu um caminho longo antes de chegar ao português: nasceu no sânscrito, passou para o persa, depois para o árabe as-sukkar, e só então chegou à Península Ibérica através dos árabes, que introduziram também o próprio cultivo da cana-de-açúcar na região.

Almirante e alfândega

Nem todas as palavras de origem árabe pertencem ao vocabulário doméstico. Almirante e alfândega são exemplos de termos administrativos e militares herdados do árabe, que atravessaram os séculos sem que a maioria dos falantes de português saiba hoje da sua origem.

O “al” que ficou colado

Uma curiosidade linguística: muitas destas palavras começam por “al” porque essa sílaba corresponde ao artigo definido árabe, equivalente a “o” ou “a”. Quando os falantes de português começaram a usar estas palavras, incorporaram o artigo árabe como se fizesse parte da própria palavra — e assim ficou, definitivamente, até hoje.

Uma herança que se tornou invisível

Estas palavras deixaram de soar “estrangeiras” há muito tempo. Estão tão integradas no português do dia a dia que é fácil esquecer que, em cada refeição com azeite e alface, ou em cada almofada onde apoiamos a cabeça, carregamos ainda um pequeno vestígio de quase oito séculos de história partilhada entre árabes e portugueses.

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