Nas madrugadas de outubro, quem estiver acordado antes do amanhecer pode ver riscos de luz rápidos a cruzar o céu: são as Oriónidas, restos do cometa Halley.
O máximo acontece na noite de 21 para 22 de outubro. Este ano, a Lua quase cheia ilumina o céu durante grande parte da noite, por isso as melhores horas ficam entre o pôr da Lua e o início do amanhecer, como se vê na tabela abaixo.
Porque vale a pena olhar para o céu nesta altura
A chuva de meteoros está ativa de 2 de outubro a 7 de novembro, segundo a American Meteor Society. É nesta altura do ano que a Terra atravessa os fragmentos deixados pelo cometa Halley ao longo da sua órbita.
Esses grãos entram na atmosfera a cerca de 66 quilómetros por segundo, mais de 200 mil quilómetros por hora. A fricção com o ar fá-los brilhar durante uma fração de segundo.
Em condições ideais, a mesma fonte aponta para cerca de 20 meteoros por hora no máximo. Com a Lua iluminada a cerca de 80%, o número visível será menor, e vale mais a pena escolher bem a hora.
A que horas observar: as contas para quatro cidades
A tabela indica, para cada noite, a hora a que a Lua se põe e a hora a que o céu começa a clarear (início do crepúsculo astronómico). O intervalo entre as duas é a janela de céu escuro. As horas estão em hora de verão, que se mantém até 25 de outubro.
| Cidade | Noite de 20 para 21 | Noite de 21 para 22 (máximo) | Noite de 22 para 23 |
|---|---|---|---|
| Lisboa | 02h40 – 06h23 | 03h44 – 06h24 | 04h48 – 06h25 |
| Porto | 02h33 – 06h21 | 03h39 – 06h22 | 04h46 – 06h23 |
| Faro | 02h38 – 06h18 | 03h40 – 06h19 | 04h44 – 06h20 |
| Bragança | 02h24 – 06h13 | 03h30 – 06h14 | 04h38 – 06h15 |
| Lua iluminada | 73% | 81% | 89% |
Cálculo da VortexMag com a biblioteca de efemérides PyEphem, para as coordenadas de cada cidade. Diferenças de um ou dois minutos são normais consoante o local exato e o relevo.
Na noite do máximo, a janela escura dura cerca de duas horas e meia. A noite anterior, de 20 para 21, dá mais uma hora de céu sem Lua e é uma boa alternativa.
Ajuda também a posição do radiante, o ponto do céu de onde os meteoros parecem partir, junto à constelação de Orionte. Em Lisboa, pelas 05h00 da manhã de 22 de outubro, está a mais de 50 graus acima do horizonte.
Como observar
- Afastar-se das luzes da cidade. Um local escuro faz mais diferença do que qualquer equipamento.
- Não é preciso telescópio nem binóculos: os meteoros cruzam grandes porções do céu e veem-se melhor a olho nu.
- Olhar para uma zona do céu afastada do radiante, a 45 a 90 graus de Orionte, como recomenda a Star Walk.
- Dar alguns minutos aos olhos para se habituarem ao escuro e evitar olhar para o ecrã do telemóvel.
- Levar roupa quente e uma cadeira reclinável ou uma manta, porque a observação pede paciência.
- Confirmar a previsão de nebulosidade do IPMA para a noite escolhida.
Para escolher o local, veja os melhores locais para ver estrelas em Portugal e a reserva Dark Sky Alqueva.
NOTA DO AUTOR
Se vive numa cidade grande e bem iluminada, de pouco lhe valerá tentar observar este fenómeno (ou qualquer outro do mesmo género).
A poluição luminosa tornou-se num dos grandes símbolos do progresso. Ainda há vintes anos era possível encontrar, em diversos locais do país, zonas com pouca (ou quase nenhuma) iluminação artificial.
Esses locais foram tornando-se tão raros que deram origem a outro fenómeno: a criação de zonas protegidas de iluminação artificial, cujo exemplo maior em Portugal é o Dark Sky Alqueva.
Fontes
- American Meteor Society: Meteor Shower Calendar 2026-2027
- Star Walk: Oriónidas 2026, onde e como observar
- Cálculo próprio de efemérides (PyEphem) para Lisboa, Porto, Faro e Bragança, 20 a 23 de outubro de 2026