Setembro costuma ser o mês em que o calor afrouxa. Em 2026 aconteceu o contrário. Segundo o boletim climatológico do IPMA, foi o setembro mais quente em Portugal continental desde 1931, com uma temperatura média de 23,41 °C.
Isso é 2,91 °C acima do valor normal do período 1991-2020. O mês foi também muito seco: choveu 12,7 mm, cerca de 30% do normal.
Os números do mês
| Indicador | Setembro de 2026 | Comparação |
|---|---|---|
| Temperatura média | 23,41 °C (+2,91 °C) | Recorde desde 1931; o segundo foi 2018, com 23,00 °C |
| Média das máximas | 31,03 °C (+4,21 °C) | Recorde desde 1931; o segundo foi 2018, com 30,21 °C |
| Média das mínimas | 15,79 °C (+1,60 °C) | 4.º valor mais alto desde 1931; recorde de 16,78 °C em 1987 |
| Precipitação | 12,7 mm (cerca de 30% do normal) | 5.º setembro mais seco desde 2000; o mais seco foi 2017, com 2,0 mm |
O que mais se afastou do normal foram as tardes. A média das máximas ficou mais de 4 °C acima do habitual, o dobro do desvio das mínimas.
Duas ondas de calor e recordes em várias estações
O IPMA registou duas ondas de calor. A primeira, entre 2 e 7 de setembro, afetou o interior Norte. A segunda, de 18 a 27 de setembro, chegou a 72% das estações meteorológicas.
O dia 3 foi o mais extremo. Nesse dia, 37% das estações passaram os 40 °C e 77% passaram os 35 °C. A temperatura mais alta do mês, segundo o boletim, foi de 44,2 °C em Alcácer do Sal.
Ao longo do mês, foram batidos 15 recordes de temperatura máxima e 18 de temperatura mínima para setembro. Em Lisboa, a estação da Tapada da Ajuda chegou aos 41,7 °C, acima do anterior máximo de setembro, 41,4 °C.
Um mês não é uma tendência, mas encaixa numa
Um único mês quente não prova, sozinho, uma mudança do clima. Saber quanto deste setembro se deve às alterações climáticas exige estudos de atribuição específicos.
O quadro geral, esse, é consenso. No relatório de 2021, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) considera praticamente certo que os extremos quentes, incluindo as ondas de calor, se tornaram mais frequentes e mais intensos na maior parte das regiões terrestres desde os anos 1950.
Com confiança elevada, aponta as alterações climáticas causadas pelo ser humano como o principal fator.

O que fica para o outono
O IPMA indica que a água disponível no solo diminuiu ligeiramente no fim do mês, sobretudo no Centro e no Oeste. Quem planta agora árvores, arbustos ou horta de outono encontra um solo mais seco do que o habitual e deve acompanhar a rega das primeiras semanas.
As razões para plantar nesta altura estão em Plantar árvores e arbustos no outono. E, para quando o frio chegar, o IPMA também tem números: quantos dias de geada há por ano em cada região.
NOTA DO AUTOR
Apesar daquilo que os negacionistas dizem, a verdade é que as alterações climáticas estão mesmo aí e, com elas, o aquecimento global. Os verões estão cada vez maiores e com mais ondas de calor.
Esta nova realidade é prejudicial para a saúde e também para certas atividades económicas, especialmente para a agricultura. Dizem os negacionistas que a temperatura da Terra sempre variou, e isso é verdade, mas nunca com a intensidade que hoje experienciamos.
Um dos maiores efeitos do aquecimento global poderá ser algo que pode causar estranheza a muita gente: uma nova era glaciar. A subida das temperaturas poderá resultar no enfraquecimento ou desaparecimento da corrente de água que vai do Atlântico para o Ártico e que volta de novo ao Atlântico.
Esta corrente de água, conhecida como AMOC, é crucial para a manutenção do tempo ameno na Europa. Se ela desaparece, existe uma grande probabilidade de ocorrer uma nova era glaciar que, por poder durar séculos, poderá colocar em causa a sobrevivência da humanidade.
Fontes
- IPMA. Boletim Climatológico, setembro de 2026, Portugal Continental (resumo).
- IPMA. Período quente de setembro de 2026 (nota sobre temperaturas).
- IPCC (2021). AR6, Grupo de Trabalho I, Sumário para Decisores (A.3.1).