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Branda da Aveleira: um segredo para descobrir às portas do Gerês

Na Serra da Peneda, a Branda da Aveleira preserva cardenhas, tradição de transumância e trilhos de altitude num dos recantos mais isolados do Norte.

VxMag by VxMag
Fev 27, 2026
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Branda da Aveleira: um segredo para descobrir às portas do Gerês

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Há lugares onde a geografia funciona como filtro natural. A Branda da Aveleira, no concelho de Melgaço, é um desses casos. A mais de 1100 metros de altitude, nas encostas da Serra da Peneda, este pequeno aldeamento localiza-se na entrada Parque Nacional da Peneda-Gerês e mantém uma escala rara no turismo contemporâneo.

Chegar aqui implica aceitar a estrada sinuosa, o silêncio prolongado e a sensação de isolamento que acompanha a subida. Depois, é deixar que o vento e o som dos chocalhos façam o resto.

A montanha que se vive por estações

A Branda da Aveleira nasceu do ciclo da transumância. Durante séculos, as populações locais dividiam o ano entre as inverneiras, nos vales mais abrigados, e as brandas, situadas nas zonas altas, onde o gado encontrava pastagens frescas no verão.

Entre maio e setembro, os brandeiros instalavam-se nestas encostas com os seus rebanhos. Era uma migração sazonal que moldava a economia, a arquitetura e a própria organização social.

Hoje, essa herança continua a ser evocada no “Dia do Brandeiro”, celebrado em agosto, quando a memória coletiva regressa às origens.

Cardenhas: pedra com função

O traço mais distintivo da Branda são as cardenhas. Pequenas construções de granito e xisto, erguidas com técnica tradicional, serviam de abrigo a homens e animais. Algumas apresentam falsa cúpula; outras, telhados de lousa que acompanham a inclinação do terreno.

Dispersas pela encosta, parecem nascer da rocha. Várias foram recuperadas para turismo de aldeia, mantendo o exterior intacto e adaptando o interior ao conforto atual.

Dormir numa cardenha é experimentar a rusticidade da montanha sob um céu limpo, onde as estrelas surgem com nitidez pouco comum.

Entre garranos e mamoas

A envolvente natural é parte essencial da experiência. Urzes e giestas colorem as encostas conforme a estação, enquanto garranos percorrem livremente os planaltos. Também é possível avistar vacas cachenas, de longos cornos arqueados, símbolo da pecuária tradicional do Norte.

Os trilhos que partem da aldeia conduzem a vales glaciares e a vestígios arqueológicos como a Mamoa do Batateiro, monumento funerário pré-histórico que confirma a ocupação humana destas altitudes desde tempos remotos.

O que não pode perder

  • Conjunto de cardenhas – arquitetura pastoril integrada na paisagem.
  • Observação de garranos – fauna emblemática da Serra da Peneda.
  • Trilhos de altitude – percursos que revelam a dimensão do planalto.
  • Céu noturno – baixa poluição luminosa, ideal para observar estrelas.

Um Norte menos óbvio

A Branda da Aveleira não procura protagonismo. Vive da autenticidade e da memória de um modo de vida que dependia das estações e do gado. Às portas do Gerês, este núcleo serrano confirma que ainda existem lugares onde a montanha se impõe e o tempo abranda.

Aqui, a experiência resume-se a poucos gestos: caminhar, observar, respirar. O resto é paisagem.

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