Mudar de banco costuma assustar mais pela papelada do que pelo resto. O ordenado entra numa conta, a luz, a água e o telemóvel saem por débito direto, há uma transferência mensal para a poupança. Refazer tudo isto à mão parece um trabalho de semanas.
Há uma forma mais simples, prevista na lei e gratuita. Chama-se serviço de mudança de conta e coloca o novo banco a tratar da maior parte do processo.
O que é o serviço de mudança de conta
O serviço está regulado pelo Decreto-Lei n.º 107/2017, que transpôs regras europeias sobre a mobilidade bancária. Permite a clientes particulares e a microempresas transferir a conta de depósitos à ordem de um banco para outro, juntamente com os serviços associados.
Na prática, o novo banco pede ao antigo a lista do que está ativo e volta a criar essas operações na conta nova. O cliente só tem de dar a autorização inicial.
Podem ser transferidos:
- as ordens de transferência permanentes
- as autorizações de débito direto, como as faturas de eletricidade, gás, água ou telecomunicações
- as informações sobre transferências recorrentes recebidas, como o salário ou a pensão
- o saldo da conta antiga, se o cliente o pedir.
Os prazos, passo a passo
O processo começa sempre no banco de destino, ou seja, naquele para onde o cliente quer ir. Segundo a informação publicada pela Caixa Geral de Depósitos, as etapas são estas:
- O cliente preenche o formulário de pedido no novo banco, ao balcão ou nos canais digitais
- O novo banco tem 2 dias úteis para enviar o pedido ao banco antigo
- O banco antigo tem 5 dias úteis para entregar as listas de transferências permanentes e débitos diretos
- O novo banco tem mais 5 dias úteis para ativar essas operações na conta nova.
No total, o processo demora no mínimo 13 dias úteis após o pedido. Pode estender-se se houver obrigações pendentes na conta antiga.
Quanto custa
A ativação do serviço é gratuita. A transferência do saldo pode, ainda assim, estar sujeita às comissões previstas no preçário do banco de origem, por isso convém consultá-lo antes.
Vale a pena olhar também para o que se vai pagar no novo banco. Mudar para uma conta com custos mais altos anula a vantagem da mudança. Neste ponto, ajuda saber como evitar as comissões de manutenção da conta.
Cuidados para a mudança correr bem
O serviço trata dos débitos e das transferências, mas há tarefas que continuam a depender do cliente:
- Comunicar o novo IBAN à entidade patronal ou à Segurança Social, se o banco não o fizer no âmbito do pedido
- Atualizar o IBAN no Portal das Finanças, para receber o reembolso do IRS na conta certa
- Manter dinheiro suficiente na conta antiga até a mudança estar concluída
- Verificar os pagamentos com cartão associados à conta antiga, como subscrições mensais, que não são débitos diretos.
O último ponto é o erro mais comum. Plataformas de música, filmes ou armazenamento na internet costumam cobrar no cartão e não por débito direto, por isso não entram na transferência automática. Se o cartão antigo for cancelado, esses pagamentos falham.
Quando faz sentido mudar
A mudança compensa sobretudo quando o banco atual cobra comissões elevadas, quando o serviço deixou de responder às necessidades ou quando outra instituição tem condições melhores para a mesma utilização.
Antes de avançar, convém confirmar se a conta antiga está ligada a um crédito à habitação ou a outro empréstimo. Nesses casos, fechar a conta pode ter consequências no contrato, e o melhor é esclarecer o assunto com o banco antes de pedir a mudança.
*Informação verificada em outubro de 2026. Confirme sempre junto da entidade oficial.*