Há vilas alentejanas que se visitam numa manhã e outras que pedem um fim de semana. Serpa pertence ao segundo grupo. Entre muralhas, palácios, um museu surpreendente e uma das cascatas mais impressionantes do Sul, há muito para ver nesta vila do Baixo Alentejo, junto ao Guadiana.
E há o queijo, claro. Poucos nomes de terras portuguesas estão tão ligados a um produto como Serpa.
Castelo, muralhas e um aqueduto invulgar
O castelo e as muralhas de Serpa são Monumento Nacional desde 1954. A vila recebeu o primeiro foral em 1295 e um novo foral de D. Manuel I em 1513. Em 1707, durante a retirada das tropas espanholas, a explosão de um paiol destruiu uma das torres.
Encostado às muralhas corre um aqueduto com arcos de volta perfeita. Segundo a Infopédia, tem uma particularidade: não foi feito para abastecer a vila, mas sim uma única residência, o Palácio dos Condes de Ficalho. No fim do aqueduto há uma grande nora mourisca, que também serve de contraforte.
O palácio, construído junto às muralhas pela família Melo, é Monumento Nacional desde 2007 e guarda azulejos do século XVII.
Um museu com milhares de relógios
Uma das visitas mais inesperadas é o Museu do Relógio, instalado no antigo Convento do Mosteirinho, do século XVI. A coleção reúne cerca de 2500 relógios mecânicos, de 1630 até aos nossos dias.
É um daqueles lugares onde a visita prevista para meia hora se prolonga. Relógios de parede, de bolso, de torre e de mesa contam, peça a peça, a história da medição do tempo.
Queijo Serpa e cante alentejano
O Queijo Serpa DOP é feito com leite cru de ovelha, sal e uma infusão de cardo, que coalha o leite. Segundo a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, cura pelo menos 30 dias e pode ser produzido em 16 concelhos dos distritos de Beja e Setúbal. A primeira referência escrita conhecida é de 1905.
Serpa é também uma das terras do cante alentejano, inscrito pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade a 27 de novembro de 2014. O município tinha-o classificado como património imaterial municipal meses antes e lançou em 2008/2009 o programa O Cante nas Escolas.
Pulo do Lobo, o Guadiana em fúria
A poucos quilómetros fica um dos cenários naturais mais fortes do Alentejo. No Pulo do Lobo, o Guadiana estreita-se entre rochas e cai numa queda de cerca de 16 a 20 metros, seguida de uma longa sequência de rápidos.
A margem esquerda pertence a Serpa e a direita a Mértola. O local é considerado o coração do Parque Natural do Vale do Guadiana.
- Ir de manhã cedo, sobretudo no verão, quando o calor aperta
- Levar água e calçado firme para os caminhos de pedra
- Manter distância das bordas das rochas, que não têm proteção
- Combinar a visita com a vila de Mértola, do outro lado do rio.
O erro mais comum é visitar Serpa à pressa, a caminho do Algarve. A vila merece pelo menos uma noite, com tempo para provar o queijo e ouvir cante numa das tabernas. Do outro lado do Guadiana, vale a pena descobrir também os melhores locais para visitar em Mértola.
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