No extremo sul de Trás-os-Montes, perto do Douro, Torre de Moncorvo é uma vila de granito que guarda três histórias diferentes. A da fé, numa igreja matriz imponente; a do ferro, extraído das serras à volta durante séculos; e a da amêndoa, que no fim do inverno pinta a paisagem de branco.
Fica fora dos roteiros mais conhecidos, o que é parte do encanto. Uma visita de um dia permite conhecer o essencial com calma.
Uma igreja que demorou mais de um século
A Igreja Matriz de Torre de Moncorvo, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, domina o centro da vila. Segundo a Infopédia, a primeira pedra terá sido lançada por volta de 1544, e as obras prolongaram-se pelo século seguinte.
O resultado é um edifício de estilo maneirista, com três naves e uma torre sineira quadrada no eixo da fachada. O portal lembra um retábulo de pedra, e no interior destaca-se a talha dourada dos séculos XVII e XVIII.
A igreja foi classificada como Monumento Nacional em 1910. É o ponto de partida natural para percorrer as ruas estreitas do centro histórico.
A montanha de ferro
A Serra do Reboredo, a poucos quilómetros da vila, esconde um dos maiores depósitos de minério de ferro da Europa. Segundo o Roteiro das Minas da Direção-Geral de Energia e Geologia, as reservas ultrapassam os 670 milhões de toneladas.
O ferro já era explorado na época romana. Depois da Segunda Guerra Mundial, a empresa Ferrominas trabalhou as minas em grande escala, com cerca de 1600 trabalhadores no auge, em meados dos anos 50. A extração terminou por volta de 1986.
Para perceber esta história, a visita ao Museu do Ferro e da Região de Moncorvo é obrigatória. Foi fundado em 1985 e mostra ferramentas, minérios e a vida das comunidades mineiras.
O doce da vila: a amêndoa coberta
Torre de Moncorvo é também terra de amendoeiras, e da amêndoa nasceu o doce mais conhecido da vila. A amêndoa coberta faz-se com amêndoas torradas, envolvidas lentamente em calda de açúcar num tacho de cobre, até ganharem uma crosta branca e rugosa.
O processo é demorado e ainda hoje feito à mão por várias doceiras locais. A amêndoa coberta esteve entre as candidatas às 7 Maravilhas Doces de Portugal, em 2019.
Quando ir
A melhor altura é o fim do inverno, entre fevereiro e março, quando as amendoeiras florescem. Nessa época, a vila organiza a feira das Amendoeiras em Flor, com artesanato, produtos regionais e tradições locais.
A primavera e o outono também são boas opções, com temperaturas amenas para caminhar. No verão, o calor no vale do Douro pode ser intenso, e convém concentrar as visitas de manhã cedo e ao fim da tarde.
O que ver por perto
Torre de Moncorvo está numa zona com muito para descobrir:
- o vale do Sabor e as suas paisagens de xisto;
- as aldeias da serra, com casario de granito;
- o Vale do Côa, com os Passadiços do Côa e a arte rupestre ao ar livre.
Para alargar a viagem pela região, há outros locais paradisíacos para descobrir em Trás-os-Montes a poucas horas de estrada. Uma visita de fim de semana permite juntar a vila, o museu e um destes passeios sem pressas.