Na horta portuguesa, as favas são uma das primeiras colheitas da primavera. Para chegarem à mesa em abril ou maio, têm de ser semeadas agora, quando o calor do verão dá lugar às primeiras chuvas.
A fava é uma leguminosa rica em proteína e muito generosa na produção. Tem ainda uma vantagem que poucas culturas partilham: deixa a terra mais fértil do que a encontrou.
Quando semear
A LeguCon, plataforma portuguesa dedicada às leguminosas, indica a sementeira entre o fim do outono e o início do inverno. A RHS, a sociedade britânica de horticultura, aponta outubro e novembro para zonas de clima ameno, com fevereiro como alternativa.
As sementeiras de outono têm uma vantagem prática. As plantas desenvolvem raízes durante o inverno e chegam à primavera mais fortes, o que tende a antecipar a colheita. Em zonas com geadas fortes, uma sementeira mais tardia, já no fim do inverno, reduz o risco de perder as plantas jovens.
Como semear
A fava prefere sol e terra funda, sem encharcamento prolongado. As referências técnicas para a sementeira são estas:
- enterrar as sementes entre 5 e 8 centímetros de profundidade;
- deixar 15 a 30 centímetros entre plantas na mesma linha;
- afastar as linhas entre 40 e 80 centímetros, conforme o espaço e a variedade;
- regar apenas se a terra estiver seca no momento da sementeira.
As variedades mais altas beneficiam de um apoio. Uma linha de estacas com fio de cada lado evita que as plantas tombem com o vento e o peso das vagens.
O gesto que trava o piolho-negro
O piolho-negro das favas, Aphis fabae, é a praga mais conhecida desta cultura. Instala-se nas pontas tenras da planta, onde forma colónias densas que enfraquecem o crescimento e a produção.
A solução mais simples é despontar a planta, cortando os últimos centímetros do caule. A RHS recomenda fazê-lo quando se formam as primeiras vagens pequenas. A LeguCon aponta o período da floração.
O despontar tem um duplo efeito. Retira ao piolho a zona de que mais gosta e concentra a energia da planta nas vagens. As pontas cortadas, se estiverem limpas, podem até ser cozinhadas como uma verdura.
Se o piolho já estiver instalado noutras partes da planta, um jato de água ajuda a desalojá-lo. As joaninhas e as suas larvas são predadoras naturais desta praga e merecem ser protegidas.
Uma cultura que alimenta o solo
Como as outras leguminosas, a fava fixa azoto do ar através de nódulos nas raízes. Por isso, a RHS aconselha a cortar as plantas no fim da colheita e deixar as raízes na terra.
Esse azoto fica disponível para a cultura seguinte. É uma das razões pelas quais as favas ocupam um lugar importante nos planos de rotação da horta.
Quando colher
Segundo a LeguCon, a colheita acontece entre 80 e 150 dias depois da instalação, conforme a variedade e o clima. As vagens devem ser apanhadas cheias, mas ainda tenras.
O erro mais comum é deixar as vagens na planta tempo demais. As favas ficam duras e farinhentas, com a pele mais grossa.
Colhidas no ponto certo, seguem direitas para receitas tradicionais como as favas à algarvia. Mais informação técnica está disponível no site da LeguCon.
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