Início Sociedade Religião: 10 judeus portugueses famosos (ou descendentes de judeus)

Religião: 10 judeus portugueses famosos (ou descendentes de judeus)

São sobretudo descendentes da comunidade sefardita. Alguns são praticantes e outros apenas nasceram em famílias com raízes judaicas. Conheça 10 judeus portugueses famosos.

18781
8
Daniela Ruah
Daniela Ruah

Estima-se que cerca de 30% da população portuguesa possa ser descendente de judeus. O número pode parecer exagerado mas não tanto se olharmos para a História. Já existiam judeus em Portugal ainda antes da formação do nosso país. Uma comunidade em especial, a dos judeus sefarditas, habitou Portugal e Espanha durante séculos e por aqui continuou até ao início da Inquisição. Nesta época foram forçados à conversão e passaram a ser designados por cristãos novos ou marranos. Muitos recusaram a conversão e viverem em clandestinidade um pouco por todo o país em localidades como Belmonte, Évora, Tomar ou Castelo de Vide. Os judeus sempre tiveram uma importância significativa na História de Portugal em áreas tão diversas como a ciência, a medicina, a arte, a economia ou a política. As personalidades que a seguir apresentamos são judeus ou descendentes de judeus (especialmente da comunidade sefardita). Alguns são praticantes, outros nem sequer são religiosos e outros são apenas oriundos de famílias com raízes judaicas. Conheça 10 ilustres portugueses que são judeus ou descendentes de judeus.

 

1. Daniela Ruah

São uma das famílias mais influentes da comunidade judaica nacional. O médico Samuel Ruah costumava ser chamado à residência de Salazar e o seu primo Joshua foi o clínico de Álvaro Cunhal. O clã conta ainda com a atriz Daniela e com uma ex-grã-mestra da maçonaria feminina. Mas há muitas outras personagens fascinantes: um grande fotógrafo e um vendedor de pedras preciosas.

Daniela Ruah
Daniela Ruah

A história dos Ruah está cheia de surpresas e de personagens fascinantes, resultado do casamento de Moysés e Ester e dos seus sete filhos. Abraão, Hassan, José, Isaac, Simi, Jacob e Samuel. Só estes dois últimos não tiveram descendentes, segundo o livro Genealogia Hebraica, de José Maria Abecassis. Daniela Ruah é uma das bisnetas do vendedor de pedras preciosas. E o otorrino Samuel Ruah um dos três filhos de Isaac e Raquel. Nenhum quis seguir o negócio familiar e ele, Samuel, preferiu ser médico, em parte pelo facto de o seu irmão mais velho, Moisés, ter morrido de febre tifóide aos 17 anos, pouco antes de entrar em Medicina.

 

2. Amato Lusitano

Judeu português, médico e escritor do século XVI. Nasceu em Castelo Branco, em 1511, baptizado como João Rodrigues. Aos 14 anos foi estudar Medicina para Salamanca, exercendo clínica em dois hospitais aos 18 anos. Regressou a Portugal em 1531, trabalhando em Lisboa. 1533/1534 marca o início da vida errante pela Europa (devido à Inquisição) onde desenvolveu obras importantes.

Amato Lusitano
Amato Lusitano

Amato Lusitano foi o primeiro a estudar cientificamente as plantas ibéricas, contribuindo para a Biologia, Farmacopeia e Botânica Médica. Pioneiro na abordagem clínica da sexologia descreveu pormenorizadamente os órgãos genitais masculinos e femininos; a reprodução (gravidez; desenvolvimento embrionário; parto e aborto; doenças mais frequentes na grávida); algumas doenças venéreas e terapêutica; e casos de indefinição da vivência sexual tanto de natureza física como emocional. Desenvolveu novos instrumentos e técnicas.

 

3. Garcia de Orta

Garcia de Orta nasceu, em 1501, em Castelo de Vide, distrito de Portalegre. Os seus pais, Fernando Isaac de Orta e Leonor Gomes, eram judeus, tendo sido expulsos de Espanha em 1492 pelos Reis Católicos. Estudou em Espanha, nomeadamente em Salamanca e Alcaná de Henares. Tirou o Bacharelato em Artes e licenciou-se em Medicina e Filosofia Natural. Foi durante o seu percurso universitário que surgiu o interesse pelo estudo de plantas medicinais.

Garcia de Orta
Garcia de Orta

Por volta de 1523, regressa a Portugal para exercer medicina na cidade onde nasceu tornando-se, mais tarde, médico de D. João III, em Lisboa. Aí conhece o ilustre matemático (e também cristão novo) Pedro Nunes. Embarcou depois para a Índia como médico pessoal de Martim Afonso de Sousa, um amigo que fora nomeado vice-rei da Índia. Em Goa, familiariza-se com a literatura médica da Índia e com a grande variedade de plantas, animais e resinas utilizadas para tratar doentes. É, também, nesta cidade que estabelece amizade com o ainda desconhecido Luís de Camões, que lhe dedicou alguns poemas. Posteriormente, como recompensa dos seus serviços, o vice-rei entrega-lhe o foro de Bombaim.

8 COMENTÁRIOS

  1. Outra maneira de falar isso seria: o português em media tem possivelmente 20% de ascendência judaica.

    No sul 35% e no norte 5%.

    Entretanto, esta terra teve varias outras influências do medioriente, nao somente o judeu e arabe. Por exemplo, os Alani e os Fenícios.

  2. Como disse Cnan anteriormente, aqui no Brasil ocorre o inverso de Portugal: Diz-se que em torno de 35% do povo brasileiro tem ascendência judaica. No Sul com incidência entre 10 e 15% (imigrantes alemães Ashkenasi e Italianos) sendo que no Nordeste pode chegar a 45% (imigrantes europeus sefarditas, na sua grande maioria).

  3. Uma falácia.
    Judeus, Cristãos, Muçulmanos,Ortodoxos,etc.

    Cada um acredita naquilo que acredita (ponto em extenso)
    Uns influenciam mais que outros ), claro como em tudo

    • Que “falácia”? Alguém aqui nega que as pessoas “acreditam no que acreditam”? O que este artigo trata é de alguns portugueses conhecidos que têm ascendência judaica. Que têm antepassados de comunidades judaicas. Os judeus estão em Portugal desde o século I. E cerca de 20% da população portuguesa, sem o saber, descende de judeus convertidos, os chamados cristãos-novos. A maior parte das pessoas não conhece os seus antepassados. Mas no caso das pessoas que este artigo foca, sabe-se. Portugal é um país muito diversificado em termos das origens da nossa população, por via da nossa posição geográfica, dos Descobrimentos e da nossa vocação de tolerância para com diferentes culturas. Temos descendentes de judeus como tempos por exemplo descendentes de Fenícios. E ainda bem, que assim somos mais interessantes em todos os aspectos. As crenças religiosas não andam necessariamente a par com as origens “étnicas”; por exemplo, nem todos os Árabes são muçulmanos, como nem todos os Italianos são católicos.

      • João Carlos, diz-se que no mínimo 20% da população portuguesa era de sangue judeu em 1498. Eu suponho que era muito mais do que isso, pois casamentos consaguíneos são inevitáveis numa sociedade com tanta tolerância racial como a protuguesa, mesmo num subgrupo etnocêntrico como os judeus.
        As expulsões e extermínio não foram em larga escala, pois não eram os judeus que estavam proscritos, mas sua religião. Portanto esse grupo continuou grande. Usando estatística elementar, conclui-se que 520 anos de casamentos e migrações internas são mais do que suficientes para que a grande maioria dos portugueses tenha ascendência israelita.

  4. Faltou o meu ancestral e figura ilustríssima em Portugal: João Gonçalves Zarco. Na verdade, essa lista é bem maior!

    • É verdade. Ídem para Fernando de Noronha, Pedro Álvares Cabral e muitos outros navegadores (Cristóvão Colombo, por exemplo).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here