Início Sociedade Religião: 10 judeus portugueses famosos (ou descendentes de judeus)

Religião: 10 judeus portugueses famosos (ou descendentes de judeus)

São sobretudo descendentes da comunidade sefardita. Alguns são praticantes e outros apenas nasceram em famílias com raízes judaicas. Conheça 10 judeus portugueses famosos.

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Daniela Ruah
Daniela Ruah

Estima-se que cerca de 30% da população portuguesa possa ser descendente de judeus. O número pode parecer exagerado mas não tanto se olharmos para a História. Já existiam judeus em Portugal ainda antes da formação do nosso país. Uma comunidade em especial, a dos judeus sefarditas, habitou Portugal e Espanha durante séculos e por aqui continuou até ao início da Inquisição. Nesta época foram forçados à conversão e passaram a ser designados por cristãos novos ou marranos.

Muitos recusaram a conversão e viverem em clandestinidade um pouco por todo o país em localidades como Belmonte, Évora, Tomar ou Castelo de Vide. Os judeus sempre tiveram uma importância significativa na História de Portugal em áreas tão diversas como a ciência, a medicina, a arte, a economia ou a política.

As personalidades que a seguir apresentamos são judeus ou descendentes de judeus (especialmente da comunidade sefardita). Alguns são praticantes, outros nem sequer são religiosos e outros são apenas oriundos de famílias com raízes judaicas. Conheça 10 ilustres portugueses que são judeus ou descendentes de judeus.

 

1. Daniela Ruah

São uma das famílias mais influentes da comunidade judaica nacional. O médico Samuel Ruah costumava ser chamado à residência de Salazar e o seu primo Joshua foi o clínico de Álvaro Cunhal. O clã conta ainda com a atriz Daniela e com uma ex-grã-mestra da maçonaria feminina. Mas há muitas outras personagens fascinantes: um grande fotógrafo e um vendedor de pedras preciosas.

Daniela Ruah
Daniela Ruah

A história dos Ruah está cheia de surpresas e de personagens fascinantes, resultado do casamento de Moysés e Ester e dos seus sete filhos. Abraão, Hassan, José, Isaac, Simi, Jacob e Samuel. Só estes dois últimos não tiveram descendentes, segundo o livro Genealogia Hebraica, de José Maria Abecassis. Daniela Ruah é uma das bisnetas do vendedor de pedras preciosas. E o otorrino Samuel Ruah um dos três filhos de Isaac e Raquel. Nenhum quis seguir o negócio familiar e ele, Samuel, preferiu ser médico, em parte pelo facto de o seu irmão mais velho, Moisés, ter morrido de febre tifóide aos 17 anos, pouco antes de entrar em Medicina.

 

2. Amato Lusitano

Judeu português, médico e escritor do século XVI. Nasceu em Castelo Branco, em 1511, baptizado como João Rodrigues. Aos 14 anos foi estudar Medicina para Salamanca, exercendo clínica em dois hospitais aos 18 anos. Regressou a Portugal em 1531, trabalhando em Lisboa. 1533/1534 marca o início da vida errante pela Europa (devido à Inquisição) onde desenvolveu obras importantes.

Amato Lusitano
Amato Lusitano

Amato Lusitano foi o primeiro a estudar cientificamente as plantas ibéricas, contribuindo para a Biologia, Farmacopeia e Botânica Médica. Pioneiro na abordagem clínica da sexologia descreveu pormenorizadamente os órgãos genitais masculinos e femininos; a reprodução (gravidez; desenvolvimento embrionário; parto e aborto; doenças mais frequentes na grávida); algumas doenças venéreas e terapêutica; e casos de indefinição da vivência sexual tanto de natureza física como emocional. Desenvolveu novos instrumentos e técnicas.

 

3. Garcia de Orta

Garcia de Orta nasceu, em 1501, em Castelo de Vide, distrito de Portalegre. Os seus pais, Fernando Isaac de Orta e Leonor Gomes, eram judeus, tendo sido expulsos de Espanha em 1492 pelos Reis Católicos. Estudou em Espanha, nomeadamente em Salamanca e Alcaná de Henares. Tirou o Bacharelato em Artes e licenciou-se em Medicina e Filosofia Natural. Foi durante o seu percurso universitário que surgiu o interesse pelo estudo de plantas medicinais.

Garcia de Orta
Garcia de Orta

Por volta de 1523, regressa a Portugal para exercer medicina na cidade onde nasceu tornando-se, mais tarde, médico de D. João III, em Lisboa. Aí conhece o ilustre matemático (e também cristão novo) Pedro Nunes. Embarcou depois para a Índia como médico pessoal de Martim Afonso de Sousa, um amigo que fora nomeado vice-rei da Índia. Em Goa, familiariza-se com a literatura médica da Índia e com a grande variedade de plantas, animais e resinas utilizadas para tratar doentes. É, também, nesta cidade que estabelece amizade com o ainda desconhecido Luís de Camões, que lhe dedicou alguns poemas. Posteriormente, como recompensa dos seus serviços, o vice-rei entrega-lhe o foro de Bombaim.

 

4. Jorge Sampaio

Jorge Sampaio é filho de Fernanda Bensaúde Branco, judia sefardita. Segundo a tradição judaica, filho de mãe judia é judeu. No entanto, Jorge Sampaio não será praticante nem sequer religioso. Jorge Sampaio é ainda irmão de outro descendente de judeus famoso em Portugal: Daniel Sampaio.

Jorge Sampaio
Jorge Sampaio

Foram educados para não falhar. O fracasso era uma espécie de anátema na casa dos Sampaio. Não por acaso, Jorge e Daniel (posto pela ordem pela qual nasceram destacaram-se na vida pública. Os Sampaio são também Bensaúde. Quer dizer, a família da mãe, de ascendência judia, teve uma enorme importância na estruturação das suas vidas, nas pessoas que hoje são. A mãe era aquela que dizia ao pai: “Não desistas.” O pai era aquele que nunca se lembrava de ter férias.

 

5. Francisco José Viegas

Viveu até aos oito anos no Pocinho, hoje a última paragem ferroviária do Douro. Mudou-se para Chaves quando os pais, professores primários, foram ali colocados. Licenciou-se em Estudos Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 1983, e foi assistente de Linguística, na Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora, até 1987.

Francisco José Viegas
Francisco José Viegas

Além do jornalismo, Francisco José Viegas, tem publicado obras de poesia, romance, conto, uma peça de teatro e relatos de viagens. O seu romance policial Longe de Manaus (2005) valeu-lhe o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. É editor da Quetzal e autor do blogue A Origem das Espécies. Homem religioso, abandonou o catolicismo da sua tradição familiar e aproximou-se do judaísmo, religião dos seus antepassados, numerosos em Vila Nova de Foz Côa.

 

6. José Maria Ricciardi

Descendente da familia Holtreman, é filho de António Luís Roquette Ricciardi, Primeiro-Tenente da Marinha especializado em Aviação, na reserva desde 25 de Setembro de 1957, gestor de sociedades e banqueiro, de ascendência Italiana e Francesa, bisneto do 1.º Visconde de Alvalade e sobrinho-bisneto do 1.º Barão de Salvaterra de Magos, e de sua mulher Vera Maria Cohen do Espírito Santo Silva, de ascendência Judaica Sefardita e Italiana, neto materno de Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva e de sua mulher Mary Pinto de Morais Sarmento Cohen, de ascendência Judaica Sefardita, meia-sobrinha do 1.º Barão de Sendal.

José Maria Ricciardi
José Maria Ricciardi

Ricciardi dedicou quase totalidade da sua carreira profissional ao sector da banca. No final da década de 70, integrou o Banco Inter-Atlântico, S.A., no Rio de Janeiro. Entre 1981 e 1983 foi financial controller na sede europeia do Grupo Espírito Santo (GES), assegurando a função de Assistente do General Financial Controller do GES a nível mundial. Em 1983, assumiu o cargo de Director Adjunto do Bank Espírito Santo International Limited e em 1987 foi nomeado Director da Direcção de Merchant Banking do Banco Internacional de Crédito, S.A. (BIC).

 

7. Pedro Nunes

Pedro Nunes foi um dos primeiros nomes na difusão e na investigação científica no país mais a ocidente na Europa. Desenvolvendo o seu trabalho na época dos Descobrimentos, revelou-se primordial na instrumentalização das diferentes viagens encetadas pelas tripulações lusas. Apesar de formado em Matemática, foi muito além da sua área de estudos, caminhando lado a lado com as progressivas inovações científicas europeias. Um dos nomes da Ciência que deu luz às portas europeias do Atlântico, sendo o farol em ciência e engenho de todo o empreendedorismo náutico.

Pedro Nunes
Pedro Nunes

Pouco é conhecido da infância de Pedro Nunes, sabendo-se somente que nasceu em Alcácer do Sal em 1502 e que tem ascendência judaica, tendo familiares seus sido perseguidos pela Inquisição. O português teve de estudar fora de portas, ingressando com 19 anos na Universidade de Salamanca. Depois de dois anos de estudos, licenciou-se em Medicina na Universidade de Lisboa, esta que seria transferida para Coimbra e renomeada Universidade de Coimbra. Como a Medicina de então exigia o domínio da Astrologia, da Astronomia e da Matemática, tornou-se também versado nessas áreas. Depois de obter o seu grau de formação, continuou a deter-se nos estudos médicos, para além de leccionar diferentes disciplinas na Universidade onde se graduou. Entre estas, chegou a dar aulas de Moral, Lógica, Filosofia e Metafísica.

 

8. Ricardo Salgado

Ricardo do Espírito Santo Silva Salgado é um economista português. Foi presidente do Banco Espírito Santo e era, à data de 24 de Julho de 2014, o banqueiro há mais tempo no activo em Portugal. Ricardo Salgado passou os primeiros anos da sua vida em Lisboa, vivendo na Lapa. Fez todo o seu percurso escolar em escolas públicas, frequentando uma primária na Lapa e, mais tarde, o Liceu Pedro Nunes. Em 1969 licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG) da Universidade Técnica de Lisboa. Cumpriu o serviço militar na Marinha Portuguesa, onde fez o Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, antes de se juntar ao Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa, em 1972.

Ricardo Salgado
Ricardo Salgado

Filho de João Carlos Roma Machado Cardoso Salgado, Economista de ascendência Austríaca, e de sua mulher Maria da Conceição Cohen do Espírito Santo Silva, de ascendência Judaica Sefardita e Italiana, neto materno de Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva, meio-sobrinho-bisneto do 1.º Barão de Sendal e sobrinho-trineto do 1.º Visconde de Faria e Maia, primo-irmão de José Maria Ricciardi.

 

9. Abraão Zacuto

Zacuto teria nascido em Salamanca em c. 1450. Ali teria estudado e leccionado astronomia e astrologia na Universidade de Salamanca, ainda que haja poucos detalhes sobre sua vida naquela cidade. Quando da expulsão dos judeus de Espanha em 1492, Zacuto refugiou-se em Portugal, sabendo-se que estava a serviço de D. João II em Junho de 1493. Era já reconhecido como um importante astrónomo antes de chegar a Portugal. No país, seu trabalho foi importante para a ciência náutica. Foi chamado à Corte e nomeado Astrónomo e Historiador Real pelo Rei D. João II, cargo que exerceu até ao reinado de D. Manuel I. Foi consultado por este monarca acerca da possibilidade de uma viagem por mar até à Índia, que apoiou e encorajou.

Abraão Zacuto
Abraão Zacuto

Mesmo assim, depois de ter acontecido a descoberta do caminho marítimo para a Índia, Zacuto sofreu a expulsão de Portugal, tal como todos os judeus que recusaram se converter ao catolicismo, que era dada através do baptismo, que o rei português impôs aos que aí viviam. Abraão Zacuto foi o autor de um novo e melhorado Astrolábio, que ensinou os navegantes portugueses a utilizar, e também de melhoradas tábuas astronómicas que ajudaram a orientação das caravelas portuguesas no alto-mar, através de cálculos a partir de observações com o Astrolábio. As suas contribuições salvaram sem dúvida a vida de muitos marinheiros portugueses e permitiriam as descobertas do Brasil e do caminho marítimo para a Índia.

 

10. Herberto Helder

Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira nasceu a 23 de Novembro de 1930 no Funchal, no seio de uma família de origem judaica. Aos 16 anos viaja para Lisboa para estudar e, em 1948, matricula-se na Faculdade de Direito de Coimbra. Um ano depois, muda para a Faculdade de Letras onde frequenta, durante três anos, o curso de Filologia Romântica, que não chegou a terminar.

Herberto Helder
Herberto Helder

A publicação do seu primeiro poema data de 1954, contudo, o seu primeiro livro, “O Amor em Visita”, foi publicado quatro anos mais tarde. À época, o poeta frequentava o círculo modernista do Café Gelo, no Rossio, em Lisboa, convivendo com personalidades como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, Hélder Macedo e João Vieira. Durante os anos que se seguiram, Herberto Helder viveu em França, Holanda e Bélgica, onde teve vários trabalhos marginais. Repatriado em 1960, o poeta regressa a Portugal.

14 COMENTÁRIOS

  1. Outra maneira de falar isso seria: o português em media tem possivelmente 20% de ascendência judaica.

    No sul 35% e no norte 5%.

    Entretanto, esta terra teve varias outras influências do medioriente, nao somente o judeu e arabe. Por exemplo, os Alani e os Fenícios.

  2. Como disse Cnan anteriormente, aqui no Brasil ocorre o inverso de Portugal: Diz-se que em torno de 35% do povo brasileiro tem ascendência judaica. No Sul com incidência entre 10 e 15% (imigrantes alemães Ashkenasi e Italianos) sendo que no Nordeste pode chegar a 45% (imigrantes europeus sefarditas, na sua grande maioria).

  3. Uma falácia.
    Judeus, Cristãos, Muçulmanos,Ortodoxos,etc.

    Cada um acredita naquilo que acredita (ponto em extenso)
    Uns influenciam mais que outros ), claro como em tudo

    • Que “falácia”? Alguém aqui nega que as pessoas “acreditam no que acreditam”? O que este artigo trata é de alguns portugueses conhecidos que têm ascendência judaica. Que têm antepassados de comunidades judaicas. Os judeus estão em Portugal desde o século I. E cerca de 20% da população portuguesa, sem o saber, descende de judeus convertidos, os chamados cristãos-novos. A maior parte das pessoas não conhece os seus antepassados. Mas no caso das pessoas que este artigo foca, sabe-se. Portugal é um país muito diversificado em termos das origens da nossa população, por via da nossa posição geográfica, dos Descobrimentos e da nossa vocação de tolerância para com diferentes culturas. Temos descendentes de judeus como tempos por exemplo descendentes de Fenícios. E ainda bem, que assim somos mais interessantes em todos os aspectos. As crenças religiosas não andam necessariamente a par com as origens “étnicas”; por exemplo, nem todos os Árabes são muçulmanos, como nem todos os Italianos são católicos.

      • João Carlos, diz-se que no mínimo 20% da população portuguesa era de sangue judeu em 1498. Eu suponho que era muito mais do que isso, pois casamentos consaguíneos são inevitáveis numa sociedade com tanta tolerância racial como a protuguesa, mesmo num subgrupo etnocêntrico como os judeus.
        As expulsões e extermínio não foram em larga escala, pois não eram os judeus que estavam proscritos, mas sua religião. Portanto esse grupo continuou grande. Usando estatística elementar, conclui-se que 520 anos de casamentos e migrações internas são mais do que suficientes para que a grande maioria dos portugueses tenha ascendência israelita.

          • Provavelmente os primeiros contactos com a Peninsula Íberica foram devido ao comércio nas colónias fenícias e gregas instaladas nas localidades costeiras. Ou seja muito antes da destruição do segundo templo.

  4. Faltou o meu ancestral e figura ilustríssima em Portugal: João Gonçalves Zarco. Na verdade, essa lista é bem maior!

    • É verdade. Ídem para Fernando de Noronha, Pedro Álvares Cabral e muitos outros navegadores (Cristóvão Colombo, por exemplo).

  5. Agora percebo porque este bananal é o que é! As principais figuras que teem gerido politica e economicamente esta terra são judeus. Como é que um judeu do gabarito do salgado faz o desfalque que faz e não é condenado? Jamais um semita é condenado pelos crimes que comete mas os gentios são condenados pelos crimes que eles cometem.

  6. J’ai fait mon Dna toute ma famille paternelle et une partie maternelle sont des juifs portugais donc séfarades et Ashkénaze, je ne reviens pas , que pendant des années nos a été cachés, heureuse de faire partie d’israel

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