As portagens das autoestradas devem subir cerca de 3,82% a 1 de janeiro de 2027. É o valor que resulta da estimativa rápida da inflação de outubro, divulgada pelo INE a 30 de outubro, e que a Lusa e o Observador já calcularam.
O número só fica fechado quando o INE publicar os dados definitivos de outubro, a 11 de novembro. Até dia 15, as concessionárias entregam ao Governo as propostas de preços para o novo ano.
A regra que decide o aumento
A fórmula vem do Decreto-Lei n.º 294/97 e dos contratos de concessão. Conta a inflação homóloga sem habitação, no continente, do último mês publicado antes de 15 de novembro: na prática, outubro.
Em outubro de 2026, esse indicador ficou estimado em 3,72%, quase o dobro dos 2,19% usados no ano passado. A este valor somam-se 0,1 pontos percentuais, previstos no Decreto-Lei n.º 87-A/2022.
Esse acréscimo compensa o travão de 2023, quando o aumento ficou limitado a 4,9%. Segundo o Observador, 2027 é o último ano em que se aplica.
As contas na A1 e na A2
Em 2026, a viagem completa entre Lisboa e o Porto na A1 passou a custar 25,05 euros para um carro de classe 1, segundo a RTP. Entre Lisboa e o Algarve, na A2, o valor ficou nos 23,80 euros.
Aplicando a subida estimada de 3,82%, os valores ficam assim:
| Percurso completo (classe 1) | 2026 | 2027 com +3,82% (indicativo) | Diferença |
|---|---|---|---|
| A1 Lisboa–Porto | 25,05 € | cerca de 26,00 € | +0,95 € |
| A2 Lisboa–Algarve | 23,80 € | cerca de 24,70 € | +0,90 € |
Os preços finais podem variar alguns cêntimos. Cada troço é arredondado ao múltiplo de cinco cêntimos mais próximo, e um aumento inferior a 2,5 cêntimos deixa a taxa igual, como explicou o ECO.
Para quem faz a A1 de ponta a ponta, ida e volta, uma vez por mês, a diferença ronda os 23 euros num ano. É o preço de quase uma viagem extra só de ida.
Como evoluíram os aumentos
| Ano | Inflação sem habitação de outubro do ano anterior | Aumento das portagens |
|---|---|---|
| 2025 | 2,11% | 2,21% |
| 2026 | 2,19% | 2,29% |
| 2027 | 3,72% (estimativa rápida) | 3,82% (estimativa) |
O salto acompanha a inflação. Em outubro, a taxa homóloga geral chegou aos 3,8%, a mais alta desde maio de 2023, empurrada pela energia, segundo o ECO.
O calendário até janeiro
- 11 de novembro: o INE publica a inflação definitiva de outubro.
- Até 15 de novembro: as concessionárias apresentam as propostas de preços.
- 30 dias depois: prazo do Estado para responder.
- 1 de janeiro de 2027: entram em vigor os novos preços.
Quem conduz com frequência pode rever também outros custos fixos do carro, como o calendário da inspeção periódica ou os cuidados para não ficar sem combustível na autoestrada.
Fontes
- Observador, 30 de outubro de 2026
- Sábado/Lusa, 30 de outubro de 2026
- Postal, 31 de outubro de 2026
- RTP, 31 de dezembro de 2025
- ECO, 12 de novembro de 2025
- Sábado/Lusa, 13 de novembro de 2024
Informação verificada em novembro de 2026. Confirme sempre junto da entidade oficial.