Todos os anos, sem exceção, as mesmas árvores que estiveram verdes o verão inteiro começam a incendiar-se lentamente em tons de amarelo, laranja e vermelho.
Não é um sinal de doença nem de sofrimento da planta. É, na verdade, um processo cuidadosamente controlado.
O que acontece dentro de uma folha para produzir esta transformação?
A cor verde era sempre uma máscara
Durante a primavera e o verão, as folhas estão cheias de clorofila, o pigmento responsável pela fotossíntese e pela cor verde que associamos às plantas.
Mas a clorofila não é o único pigmento presente na folha. Os carotenoides, responsáveis pelos tons amarelos e laranja, estão lá o ano inteiro — simplesmente escondidos pelo verde dominante da clorofila.
Quando os dias encurtam e as temperaturas descem, a árvore deixa de produzir clorofila nova, a existente degrada-se, e é nesse momento que o amarelo e o laranja, que sempre lá estiveram, se tornam finalmente visíveis.
O vermelho é diferente: é criado de propósito
Ao contrário do amarelo, o vermelho não estava escondido na folha à espera de aparecer. É produzido ativamente, num processo distinto, através de pigmentos chamados antocianinas.
Segundo o Serviço Florestal dos Estados Unidos, à medida que a árvore fecha gradualmente os canais que ligam a folha ao ramo, o açúcar produzido pela fotossíntese fica retido dentro da folha — e é essa acumulação de açúcar, exposta à luz, que desencadeia a produção de antocianina.
Cerca de 70% das árvores e arbustos de folha caduca produzem este pigmento durante a senescência outonal.
Porque alguns anos são mais coloridos do que outros
A intensidade da cor de outono não é sempre igual, e depende sobretudo das condições meteorológicas nas semanas anteriores.
Dias ensolarados combinados com noites frias, mas sem geada, favorecem a acumulação de açúcar nas folhas e, consequentemente, cores vermelhas mais intensas.
Outonos chuvosos ou muito nublados tendem a produzir folhagem mais discreta, dominada pelos tons amarelos em vez dos vermelhos vibrantes.
Uma última função antes da queda
Depois de retirar o máximo de nutrientes possível da folha antes de a deixar cair — sobretudo o azoto, reabsorvido e armazenado no tronco e nos ramos para a primavera seguinte — a árvore sela definitivamente a ligação entre a folha e o ramo.
É só depois desta última etapa, quando já não há mais nada a aproveitar, que a folha finalmente se solta.
Um espetáculo com função, não só beleza
O que vemos como um espetáculo de cor é, na realidade, o resultado de um processo fisiológico de grande precisão: uma árvore a recuperar recursos valiosos antes do inverno, pigmento a pigmento.
Fontes
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