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Porque quase todo o fundo do oceano continua por explorar

Fernando Alves by Fernando Alves
Ago 30, 2026
in Natureza
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Porque quase todo o fundo do oceano continua por explorar

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Já vimos com detalhe a superfície da Lua e de Marte. Ainda assim, uma parte enorme do fundo do nosso próprio planeta continua praticamente desconhecida — mais perto de casa do que qualquer astro no espaço, e ainda assim mais misteriosa.

Um número que continua a surpreender

Segundo a agência norte-americana NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional), à data de abril de 2026, apenas 28,7% do fundo oceânico global tinha sido mapeado com tecnologia de alta resolução, através de sonares multifeixe montados em navios.

E mapear não é o mesmo que explorar: segundo a própria NOAA, menos de 0,001% do fundo do mar profundo alguma vez foi visto diretamente por humanos ou por veículos operados remotamente — uma área aproximadamente do tamanho do estado norte-americano de Rhode Island.

Porque é tão mais difícil do que explorar o espaço

Comparado com a Lua ou Marte, ambos já completamente mapeados, o oceano apresenta desafios únicos: escuridão total a partir de determinada profundidade, pressões esmagadoras — no ponto mais profundo do oceano, a pressão é mais de mil vezes superior à da superfície — e temperaturas próximas do gelo em grande parte das águas profundas.

Estas condições tornam a exploração tecnicamente muito mais exigente e dispendiosa, em muitos aspetos, do que enviar uma sonda ao espaço.

Milhares de espécies ainda por descrever

Segundo dados citados pela NOAA Ocean Exploration, cerca de dois terços das espécies marinhas — possivelmente mais — ainda não foram descobertas nem formalmente descritas pela ciência, com quase 2.000 novas espécies a serem aceites pela comunidade científica todos os anos.

O que já foi encontrado, apesar de tudo

Mesmo com esta lacuna imensa, as expedições de exploração oceânica já revelaram cadeias montanhosas submarinas maiores do que qualquer cordilheira em terra firme, fontes hidrotermais com ecossistemas inteiros que sobrevivem sem luz solar, e milhares de destroços de navios ainda por catalogar.

Um esforço internacional para mudar este cenário

Cientistas de várias instituições, incluindo o National Centers for Environmental Information dos Estados Unidos, uniram-se num objetivo ambicioso: mapear a totalidade do fundo oceânico mundial até 2030 — um projeto que, se cumprido, representaria o maior avanço de sempre no conhecimento sobre a geografia submarina do planeta.

O último grande território por descobrir na Terra

Enquanto olhamos para o céu à procura de novos mundos, o fundo do nosso próprio oceano continua a ser, sob praticamente qualquer definição prática, a maior fronteira inexplorada do nosso planeta — um lembrete de que ainda há descobertas monumentais à espera, sem sequer sair de casa.

Fontes

  • How much of the ocean has been explored? — NOAA Ocean Exploration
  • Ocean & Coasts — National Oceanic and Atmospheric Administration
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Fernando Alves

Fernando Alves

Fernando Alves é professor e editor, com formação em Ciências Naturais e mais de duas décadas de experiência a escrever e a ensinar. Assina na VortexMag artigos sobre natureza, viagens, história e atualidade, sempre com o mesmo cuidado de verificar cada facto antes de o publicar.

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