Ninguém estava presente para cronometrar o nascimento da Terra. Ainda assim, os cientistas afirmam, com uma margem de erro de apenas 50 milhões de anos, que o nosso planeta tem 4,54 mil milhões de anos. Como é que isto é possível?
Um relógio escondido dentro das rochas
A resposta está numa técnica chamada datação radiométrica, que usa a decomposição natural de elementos radioativos como um verdadeiro relógio geológico.
Certos elementos, como o urânio-238, são instáveis e decompõem-se lentamente, a um ritmo constante e conhecido, transformando-se noutros elementos — no caso do urânio-238, em chumbo-206. O tempo que demora até metade de uma amostra se decompor chama-se meia-vida, e é uma constante física perfeitamente previsível.
Medir a proporção, calcular o tempo
Ao medir a proporção entre o elemento original e o elemento resultante da decomposição numa amostra de rocha, os cientistas conseguem calcular há quanto tempo essa rocha se formou — quanto mais elemento decomposto existir em relação ao original, mais antiga é a amostra.
O problema das rochas mais antigas da Terra
Há um obstáculo importante: devido ao ciclo geológico constante, em que rochas antigas são destruídas e recicladas no interior do planeta, as rochas mais antigas encontradas à superfície da Terra têm “apenas” cerca de 4 mil milhões de anos — mais jovens do que a idade real do planeta.
Segundo a Live Science, foram encontrados minerais individuais com cerca de 4,4 mil milhões de anos, o que já empurra a idade mínima do planeta para essa marca, mas ainda deixa uma lacuna significativa por explicar.
A resposta estava fora da Terra
Para resolver esta lacuna, os cientistas recorreram a meteoritos — fragmentos de rocha praticamente inalterados desde a formação do próprio sistema solar, já que nunca passaram pelo ciclo geológico ativo da Terra.
Nos anos 1950, o geoquímico Clair Patterson usou um método de datação chumbo-chumbo em fragmentos do meteorito Canyon Diablo, chegando a uma idade de 4,5 mil milhões de anos — uma descoberta considerada, ainda hoje, um marco na história da geologia.
Rochas lunares confirmam a mesma história
Amostras de rocha trazidas da Lua pelas missões Apollo, também elas praticamente intocadas por processos geológicos ativos, foram datadas com o mesmo método e apresentaram idades notavelmente próximas — reforçando a fiabilidade do número obtido a partir dos meteoritos.
Um número construído em camadas de evidência
A idade da Terra não veio de um único cálculo isolado, mas da convergência de múltiplas fontes de evidência independentes — rochas terrestres, meteoritos e amostras lunares — todas apontando, com notável consistência, para os mesmos 4,5 mil milhões de anos, um número tão bem fundamentado que continua praticamente inalterado há mais de sete décadas.
Fontes