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O Sol vai mesmo morrer um dia? O que a ciência sabe sobre o seu fim

Fernando Alves by Fernando Alves
Ago 29, 2026
in Natureza
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O Sol vai mesmo morrer um dia? O que a ciência sabe sobre o seu fim

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Todos os dias, o Sol nasce e desaparece no horizonte com uma regularidade que quase nos faz esquecer que é, também ele, uma estrela com um ciclo de vida — e um fim.

Não é uma preocupação para amanhã. Mas é, tecnicamente, inevitável.

Ainda a meio da vida

O Sol tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, e ainda tem combustível suficiente para continuar a queimar hidrogénio no seu núcleo por mais cerca de 5 mil milhões de anos, segundo a NASA — o que o coloca, neste momento, sensivelmente a meio do seu ciclo de vida.

Durante essa fase seguinte, o brilho do Sol vai continuar a aumentar gradualmente, cerca de 10% a cada mil milhões de anos — um detalhe que, segundo os cientistas, tornará a Terra inabitável muito antes do Sol propriamente morrer.

A transformação em gigante vermelha

Quando o hidrogénio do núcleo se esgotar, dentro de cerca de 5 mil milhões de anos, o Sol vai começar a expandir-se dramaticamente, transformando-se numa gigante vermelha com um tamanho até 100 vezes maior do que o atual.

Esta expansão deverá engolir Mercúrio e Vénus, e muito provavelmente também a própria Terra — a esta fase, o Sol vai atingir aproximadamente a órbita onde Vénus se encontra hoje.

Uma fase de instabilidade antes do fim

A fase de gigante vermelha deverá durar cerca de mil milhões de anos, segundo a Space.com, período durante o qual o Sol continuará a fundir hélio em elementos mais pesados, como carbono e oxigénio.

No final desta fase, o Sol vai libertar as suas camadas exteriores de forma gradual, formando uma estrutura brilhante de gás e poeira conhecida como nebulosa planetária — um dos objetos mais bonitos do céu noturno, segundo os astrónomos, embora, ironicamente, o próprio Sol já não estará por perto para o ver.

O que resta: uma anã branca

O que sobra do núcleo do Sol, depois de expelir as camadas exteriores, torna-se uma anã branca: um objeto extremamente denso, aproximadamente do tamanho da Terra, mas com uma massa muito superior — uma colher de chá do seu material pesaria mais do que um camião.

Sem produção própria de calor, a anã branca vai simplesmente arrefecer lentamente ao longo de milhares de milhões de anos, até se tornar, teoricamente, num objeto escuro e frio.

Nem sequer termina com uma explosão

Ao contrário de estrelas muito mais massivas, que terminam a vida numa supernova espetacular, o Sol não tem massa suficiente para explodir dessa forma — o seu fim será, segundo os astrónomos, um processo gradual e relativamente silencioso, mais parecido com uma “aposentação cósmica” do que com um cataclismo.

Uma escala de tempo que ultrapassa qualquer imaginação humana

Nada disto é motivo de preocupação imediata — os 5 mil milhões de anos que restam ao Sol são mais tempo do que já passou desde a formação da própria Terra.

Mas saber, com este nível de detalhe científico, como vai terminar a estrela que torna possível toda a vida no nosso planeta, é um dos lembretes mais silenciosos e mais vastos de como somos, afinal, parte de um ciclo cósmico muito maior do que qualquer coisa que possamos experienciar em vida.

Fontes

  • Types of Stars — NASA Science
  • When will the sun die? — Space.com
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Fernando Alves

Fernando Alves

Fernando Alves é professor e editor, com formação em Ciências Naturais e mais de duas décadas de experiência a escrever e a ensinar. Assina na VortexMag artigos sobre natureza, viagens, história e atualidade, sempre com o mesmo cuidado de verificar cada facto antes de o publicar.

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