Início História Parabéns Portugueses: Portugal faz hoje 839 anos!

Parabéns Portugueses: Portugal faz hoje 839 anos!

Neste mesmo dia, em 1179, O Papa Alexandre III emite a bula "Manifestis Probatum" em que reconhece Portugal como Reino. São os 839 anos de Portugal.

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Afonso Henriques

 

Parabéns Portugueses! Portugal faz hoje oficialmente 838 anos. Não é todos os dias que uma nação se pode orgulhar de festejar o seu aniversário, especialmente se falarmos de um dos países mais antigos do mundo: Portugal. Não existe um consenso entre os historiadores sobre a data que assinala o nascimento do nosso país mas esta parece-nos ser a mais correcta ou, pelo menos, a mais oficial de acordo com os costumes da época, em que o Papa e a Igreja Católica eram quem governava a Europa.

Neste mesmo dia, em 1179, O Papa Alexandre III emite a bula “Manifestis Probatum” em que reconhece Portugal como Reino independente. Esta bula declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão e, D. Afonso Henriques, o seu soberano. Reconheceu, ainda, a validade do Tratado de Zamora, assinado a 5 de Outubro de 1143 em Zamora, pelo rei de Leão e por D. Afonso Henriques.

D. Afonso Henriques

Importa referir que a data não é consensual! A bula papal é talvez o mais importante pormenor que pode indicar o nascimento de Portugal porque, efectivamente, o Papa era a autoridade máxima daquela época e era ele que decidia conflitos entre países ou o reconhecimento da independência de nações.

E se a data não é consensual, quais são afinal as outras hipóteses?

 

1. 24 de Junho de 1128

Batalha de São Mamede

Trata-se da data da Batalha de São Mamede, que foi uma batalha travada entre D. Afonso Henriques e as tropas dos barões portucalenses contra as tropas do Conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.

Quando o conde D. Henrique morreu, a 1 de Novembro de 1112, fica D. Teresa a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrem, porque o seu pai lhe teria dado o território na altura do casamento. Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu irmão Fernão Peres de Trava. A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta verificada em 1128. Os revoltosos escolheram para seu líder D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D. Teresa.

Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficou então nas mãos do infante e dos seus partidários, o que desagradou ao Bispo de Santiago de Compostela, Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras. D. Teresa desistia assim da ambição de ser senhora de Portugal. Há rumores não confirmados que ela teria sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que D. Teresa rogou ao seu filho D. Afonso Henriques.

Com esta vitória, D. Afonso Henriques assegurou que o Condado Portucalense não ficava nas mãos de Castela ou sob influência galega. A partir deste momento, D. Afonso Henriques começou a traçar o seu caminho até se tornar o primeiro rei de Portugal.

 

2. 25 de Julho de 1139

Batalha de Ourique
Batalha de Ourique

É a data da Batalha de Ourique. A Batalha de Ourique ocorreu num local que as fontes denominam de Ourique (Aulic, Oric, Ouric), que na altura estaria no território controlado pelos muçulmanos (tunc cor terrae sarracenorum). No terreno defrontaram-se as forças “portuguesas” lideradas por D. Afonso Henriques, que havia partido de Coimbra, contra cinco “reis” mouros: Sevilha, Badajoz, Évora, Beja e um quinto de nome Ismar, que alguns autores pensam ser o alcaide de Santarém e outros de Elvas, sendo apenas esta uma das muitas dúvidas que envolvem esta importante batalha.

Foram as vitórias militares que asseguraram a D. Afonso Henriques, um território suficientemente vasto para se afirmar como um Reino, e foram estas também que permitiram que o Reino de Portugal fosse reconhecido internacionalmente como tal. Destas vitórias, Ourique é sem dúvida a mais importante, pois foi a partir desta que Afonso Henriques passou a utilizar o título de Rei (Rex).

 

3. 5 de Outubro de 1143

Tratado de Zamora
Tratado de Zamora

No dia 5 de Outubro de 1143 foi assinado em Zamora, um tratado entre os reis D. Afonso Henriques de Portugal e D. Afonso VII de Leão e Castela do qual resultou a paz entre os dois reinos. A partir desta data, o rei de Leão e Castela reconhece o rei e o reino de Portugal como entidades independentes, contudo, salvaguarda o facto de o reino de Portugal, continuar sob a alçada do monarca espanhol, como seu imperador (Imperatore).

Esta data, marca assim, a Independência de Portugal e o inicio da primeira dinastia Afonsina. A soberania portuguesa reconhecida por Afonso VII no Tratado de Zamora, veio a ser confirmada, mais tarde, em 1179 pelo Papa Alexandre III (Bula Manifestis Probatum). D. Afonso Henriques perante o Cardeal Guido de Vico compromete-se a tornar-se vassalo da Santa Sé mediante o pagando um censo anual de quatro onças de ouro, ele e os seus descendentes.

 

4. 23 de Maio de 1179

Manifestis probatum
Manifestis probatum

Manifestis probatum foi uma bula emitida pelo Papa Alexandre III, a 23 de Maio de 1179, que declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, e D. Afonso Henriques, o seu soberano. Esta bula reconheceu a validade do Tratado de Zamora, assinado a 5 de Outubro de 1143 em Zamora, pelo rei de Leão, e por D. Afonso Henriques.

Deste modo, o Papa, atendendo às qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo, toma D. Afonso Henriques «sob a protecção de São Pedro e a nossa», concede e confirma por autoridade apostólica ao seu domínio o Reino de Portugal com todas as honras inerentes à realeza, bem como as terras que arrancara das mãos dos sarracenos e nas quais não podiam reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos. O privilégio estende-se a todos os seus descendentes, prometendo o Papa defender esta concessão com todo o seu poder supremo.”

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Portugal foi fundado há 1149 anos, por Vímara Peres que repovoou o território entre Minho e Douro (antigo Rio das Portas), mais tarde estruturado por Mumadona Dias e, finalmente, elevado à categoria de reino por Dom Afonso Henriques ter comprado ao Papa de então o título e expandido o território quase até aos seus limites atuais, no que foi, após ter sido ferido, seguido pelo seu filho Dom Sancho. O “reino” é que faz anos, o País é mais velho.

  2. O País faz 1149 anos desde que Vímara Peres conquistou o território entre o rio Minho e o rio douro (Rio das Portas) e o repovoou. Depois Mumadona Dias estruturou-o, designadamengte em aspetos de defesa e outros. D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento do território como reino, comprando-o ao Papa de então, e alargando o território até próximo das atuais fronteiras. Depois de ter sido ferido, D. Sancho prosseguiu os esforços de expansão territorial. Portanto, o País é mais velho que o reino.

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