Todos os anos, multidões passam por Fátima. Muito poucas sobem ao monte onde fica a vila medieval de Ourém. É pena, porque ali, no mesmo concelho, está um dos conjuntos medievais mais bem conservados do Centro do país.
Muralhas, um castelo, um paço senhorial e uma cripta gótica com um dos túmulos mais notáveis da escultura portuguesa do século XV. Tudo isto a poucos minutos do santuário.
Um castelo no alto do monte
O castelo ergue-se a cerca de 330 metros, no ponto mais alto da vila amuralhada. Foi conquistado aos mouros em 1136 e mistura elementos românicos, góticos e mudéjares, fruto de obras que se estenderam do século XII ao XV.
Segundo o Turismo do Centro, o castelo e o Paço dos Condes estão ligados à lenda da moura Fátima, ou Oureana, e às origens da Casa de Bragança. O conjunto é Monumento Nacional desde 1910.
O terramoto de 1755 e a passagem das tropas francesas de Masséna, em 1810, causaram grandes estragos. As obras de restauro mais recentes terminaram em julho de 2021.
Hoje, o percurso pelas muralhas permite perceber bem a diferença entre a vila velha, no alto, e a cidade nova, que cresceu no vale. As ruas estreitas e as casas de pedra ajudam a imaginar como seria a vida dentro de portas há seis séculos.
O paço do conde D. Afonso
O século XV foi a época de ouro de Ourém, sob o 4.º conde, D. Afonso. Por volta de 1450, mandou construir o Paço dos Condes, com pormenores de inspiração veneziana que ainda hoje surpreendem quem sobe até ali.
A vila deve-lhe também a Colegiada, hoje Igreja Matriz, fundada em meados do século XV. A igreja foi destruída pelo terramoto de 1755 e reconstruída em 1766, em estilo pombalino.
O túmulo na cripta gótica
A joia escondida da vila está debaixo da igreja. Na cripta gótica, construída por volta de 1460, repousa o conde D. Afonso, que morreu nesse ano. O corpo foi trasladado para ali em 1487.
O túmulo, esculpido entre 1485 e 1487, é atribuído a Diogo Pires, o Velho. O conde está representado deitado, com a cabeça sobre uma dupla almofada. O portal e-cultura descreve o rosto como um dos mais bem esculpidos em Portugal antes do Renascimento.
- O castelo e as muralhas, com vista sobre a região
- O Paço dos Condes e os seus pormenores venezianos
- O pelourinho, do final do século XV
- A cripta gótica com o túmulo do conde.
Como combinar com Fátima e o Agroal
Fátima pertence ao concelho de Ourém e fica a cerca de 10 quilómetros da sede do município. As duas visitas completam-se bem num só dia.
No verão, há ainda a Praia Fluvial do Agroal, no rio Nabão, com águas de nascente a rondar os 16 a 18 graus. É uma das praias fluviais mais procuradas do Centro.
O erro mais comum é subir ao castelo de carro até ao topo e sair logo. A vila deve ser percorrida a pé, com tempo para descer à cripta, que muitos visitantes nem sabem que existe. Para completar o roteiro, vale a pena conhecer a história do Santuário de Fátima e a Praia Fluvial do Agroal.
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