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Mosteiro de Lorvão: o convento das infantas onde nasceu um dos manuscritos mais belos da Idade Média

Mosteiro de Lorvão: o convento das infantas onde nasceu um dos manuscritos mais belos da Idade Média
Mosteiro de Lorvão: o convento das infantas onde nasceu um dos manuscritos mais belos da Idade Média

Num vale estreito do concelho de Penacova, a poucos quilómetros de Coimbra, ergue-se um dos mosteiros mais antigos de Portugal. O Mosteiro de Lorvão já existia antes de o país ser reino e foi, durante séculos, um centro de poder religioso e cultural.

Foi ali que monges copistas produziram, em 1189, o Apocalipse do Lorvão, um manuscrito iluminado hoje reconhecido pela UNESCO. E foi ali que duas filhas de D. Sancho I escolheram viver e ser sepultadas.

Um mosteiro anterior a Portugal

A data exata da fundação é incerta. A Infopédia aponta para uma origem provável no século VI, enquanto outras fontes referem o século IX.

Certo é que, no século XII, era já um importante mosteiro beneditino masculino. Foi nesse período que o seu scriptorium produziu obras como o Livro das Aves, de 1183, e o célebre Apocalipse.

As infantas de prata

Em 1206, o mosteiro passou para a Ordem de Cister e tornou-se feminino, por ação da infanta D. Teresa, filha de D. Sancho I. Teresa tinha sido rainha de Leão, mas o casamento foi anulado e ela regressou a Portugal.

A irmã, D. Sancha, está igualmente ligada ao mosteiro. As duas foram beatificadas em 1705 pelo papa Clemente XI e estão sepultadas na capela-mor, em túmulos de prata executados em 1715 por um ourives do Porto.

No seu auge, o convento chegou a ter mais de 300 freiras, segundo um comunicado do Governo sobre o programa Revive.

O Apocalipse do Lorvão

O manuscrito de 1189, assinado por um copista chamado Egeas, é uma cópia do comentário ao Apocalipse de Beato de Liébana. Está escrito em latim, em pergaminho, e tem cerca de 70 iluminuras de cores vivas.

Saiu do mosteiro no século XIX e está hoje no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Em 2015, foi inscrito no registo Memória do Mundo da UNESCO.

O que ver no edifício atual

O conjunto que se vê hoje é sobretudo dos séculos XVII e XVIII. A igreja, construída entre 1748 e 1761, segue o barroco joanino e mostra influência de Mafra.

O destaque do interior é o cadeiral do coro, com 102 cadeiras em jacarandá e nogueira, de cerca de 1747. Com os túmulos de prata, forma um conjunto pouco conhecido do grande público.

Do convento ao hospital

Com a extinção das ordens religiosas, o Estado tomou posse do mosteiro em 1834, mas as freiras puderam permanecer até à morte da última, em 1887. No século XX, parte do edifício foi transformada em hospital psiquiátrico, que encerrou em 2012.

O mosteiro foi depois incluído no programa Revive, que prevê a concessão a privados de edifícios públicos para fins turísticos. Por isso, o acesso a algumas áreas pode variar, e convém confirmar horários antes da visita.

Como incluir na viagem

Lorvão fica a cerca de meia hora de Coimbra, numa estrada sinuosa e verde. A visita combina bem com o miradouro de Penacova e com os percursos junto ao rio Mondego.

Para quem gosta de grandes mosteiros cistercienses, o passo seguinte é o Mosteiro de Alcobaça. E na mesma região há muitos outros locais para visitar no distrito de Coimbra.

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VxMag

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