VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

Qual a origem dos portugueses?

Celtas, romanos, mouros, judeus - todos deixaram marca em Portugal. Mas a base genética da população mantém-se estável há 40 mil anos. Os números explicam porquê.

VxMag by VxMag
Jun 14, 2026
in Notícias
0
Qual a origem dos portugueses?

Qual a origem dos portugueses?

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Como limpar e desinfetar o colchão: o guia completo para dormir melhor

Como limpar e desinfetar o colchão: o guia completo para dormir melhor

Ago 8, 2026
Porque a hortênsia muda de cor consoante o solo onde está plantada

Porque a hortênsia muda de cor consoante o solo onde está plantada

Ago 4, 2026
Oliveira em vaso: como cultivar esta árvore mediterrânica em casa ou na varanda

Oliveira em vaso: como cultivar esta árvore mediterrânica em casa ou na varanda

Ago 3, 2026
Boca-de-leão: como plantar e cuidar desta flor cheia de cor e caráter

Boca-de-leão: como plantar e cuidar desta flor cheia de cor e caráter

Ago 3, 2026

Há um dado que parece contradizer tudo o que sabemos sobre a história da Península Ibérica: celtas, romanos, suevos, visigodos, mouros, judeus, escravos subsaarianos — todos passaram por aqui, todos deixaram marca cultural, linguística, arquitectónica.

E ainda assim, a base genética da população portuguesa manteve-se relativamente homogénea durante quarenta mil anos, com raízes que recuam até aos caçadores-recolectores do Paleolítico.

Como é que isto é possível? A resposta mais provável não é que as invasões não aconteceram — é que, na maioria dos casos, os povos que chegaram se misturaram com os que já estavam, em vez de os substituírem ou eliminarem.

Portugal não teve, ao que tudo indica, os episódios de substituição populacional em massa que aconteceram noutras partes da Europa. Houve sobreposição, não apagamento.

A base: iberos e celtas

Os iberos eram os habitantes mais antigos do território, com origens que remontam ao norte de África e ao sudeste europeu. Os celtas chegaram muito depois — por volta do século VI a.C. — vindos do sudeste da Europa, e em vez de empurrarem os iberos para fora, misturaram-se com eles.

O resultado foram os celtiberos, organizados em gens — algo como clãs familiares ligados a tribos, cada uma com autonomia própria —, que habitavam as regiões montanhosas onde nascem o Douro, o Tejo e o Guadiana.

O carácter combativo e a organização social dos celtiberos permitiu-lhes resistir aos romanos durante muito tempo, até à queda de Numância, por volta de 133 a.C. Foi deste tronco celtibérico que descenderam os lusitanos — o povo que, séculos depois, daria a Roma o trabalho que já vimos noutro artigo.

Camadas sobre camadas

A chegada dos romanos trouxe alguma mistura — menor, mas suficiente para deixar a marca mais duradoura de todas: a língua. O português tem raiz latina precisamente por esta camada de contacto, mesmo que geneticamente o impacto não tenha sido enorme.

Depois vieram os visigodos e os suevos, com nova miscigenação. Gregos, cartagineses, vândalos e alanos passaram também, com influências menores. Mais tarde, os mouros — sobretudo berberes — deixaram a sua marca genética e cultural durante séculos de presença na Península.

A comunidade judaica teve impacto ao longo de muito tempo, e a escravatura subsaariana, sobretudo a partir do século XV, contribuiu também para o património genético português.

Cada camada ficou. Nenhuma apagou completamente a anterior.

Os números

Um estudo genético detalhado sobre a origem dos antepassados dos portugueses actuais encontrou a seguinte distribuição: pouco mais de metade — 50,4% — tem origem ibero-itálica, ligada à Europa mediterrânica. Um quarto da ascendência vem do noroeste europeu — Ilhas Britânicas, Europa Ocidental, Escandinávia. Cerca de 9% tem origem eslava-báltica, ligada à Europa do Leste e aos Balcãs.

O norte de África contribui com cerca de 4%, o mundo árabe com 2,6%, o Mediterrâneo oriental — incluindo comunidades judaicas europeias — com 2,5%. As restantes percentagens, mais pequenas, ligam-se ao Corno de África, ao Cáucaso e à região urálica.

Um segundo estudo, com metodologia diferente, chega a conclusões semelhantes na estrutura geral: cerca de metade dos antepassados são originários da própria Península Ibérica, remontando aos primeiros habitantes humanos do território.

Quase 29% vêm da região que os romanos chamavam Gália Bélgica — Bélgica, Holanda, Luxemburgo, norte de França, sudeste da Grã-Bretanha —, consistente com a migração celta pré-histórica. Cerca de 11% têm origem no norte de África, reflectindo tanto o contacto com fenícios e cartagineses como a presença muçulmana medieval.

Outros 4,5% ligam-se a populações fenícias, possivelmente através de povos que estiveram em contacto directo com elas — godos, alanos, ou os saqaliba, escravos eslavos trazidos durante o domínio islâmico.

O que isto significa

Talvez o mais interessante não sejam os números individuais, mas o que dizem em conjunto: a história genética portuguesa não é uma história de substituições, é uma história de adições.

Cada povo que chegou ficou de alguma forma representado, em proporções que reflectem mais a duração e intensidade do contacto do que conquistas dramáticas que tivessem apagado o que existia antes.

É uma forma de pensar a identidade nacional que escapa às narrativas mais simples — não há um “povo original” que foi sucessivamente substituído, há uma base muito antiga que foi continuamente enriquecida sem nunca ser eliminada.

Os portugueses de hoje carregam, em proporções muito desiguais, um pouco de praticamente todos os povos que algum dia atravessaram este canto da Europa.

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Albano Beirão: o "Homem Macaco" que aterrorizou Portugal no início do século XX
História

Albano Beirão: o “Homem Macaco” que aterrorizou Portugal no início do século XX

by VxMag
Ago 10, 2026
0

Albano Beirão nasceu em 1884 numa aldeia perto da Guarda chamada Veloso. Desde os sete anos sofria de ataques violentos...

Read moreDetails
Toucinho do céu: a sobremesa perfeita para desfrutar em família

Toucinho do céu: a sobremesa perfeita para desfrutar em família

Ago 10, 2026
Rojões à moda do Minho: receita tradicional e fácil de fazer

Rojões à moda do Minho: receita tradicional e fácil de fazer

Ago 10, 2026
Pudim Abade de Priscos: receita tradicional de um doce minhoto irresistível

Pudim Abade de Priscos: receita tradicional de um doce minhoto irresistível

Ago 10, 2026
Papas de sarrabulho à moda do Minho: receita tradicional que nunca falha

Papas de sarrabulho à moda do Minho: receita tradicional que nunca falha

Ago 10, 2026
Leite creme com crosta de açúcar queimado: receita fácil que sai sempre bem

Leite creme com crosta de açúcar queimado: receita fácil que sai sempre bem

Ago 10, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza

© 2024 Vortex Magazine