A poucos quilómetros de Faro, na aldeia de Estoi, um campo de oliveiras esconde os restos de uma casa romana de luxo. As Ruínas Romanas de Milreu mostram como vivia uma família abastada no sul da Lusitânia, há quase dois mil anos.
Os mosaicos com peixes e motivos marinhos são a imagem mais conhecida do sítio. Mas há também um templo que se transformou em igreja e uma história de ocupação que atravessa vários séculos.
De quinta agrícola a residência de luxo
Segundo a Património Cultural, a villa foi habitada a partir do século I. Entre os séculos II e III, foi transformada numa residência luxuosa, com pátio central, termas privadas e salas decoradas.
Uma villa romana era, ao mesmo tempo, casa senhorial e centro de exploração agrícola. A de Milreu ficava perto de Ossonoba, a cidade romana que corresponde à atual Faro.
Os mosaicos marinhos
Os mosaicos são sobretudo de temática marinha. Nas termas, aparecem peixes e outros animais do mar, num conjunto que reflete a ligação da região ao oceano.
As peças foram feitas com pequenas pedras de cor, as tesselas, dispostas à mão. Mesmo expostos ao ar livre e com partes perdidas, ajudam a imaginar a riqueza original da casa. O recinto percorre-se por caminhos marcados, que ajudam a perceber a organização das divisões e das termas.
Um templo que virou igreja
Junto à villa ergue-se o edifício mais visível do conjunto: um templo dedicado a uma divindade das águas, muitas vezes chamado ninfeu. Nos séculos V e VI, foi convertido em igreja paleocristã.
Mais tarde, no período islâmico, a zona foi usada como cemitério, e acabou abandonada no século X. Esta sobreposição de usos faz de Milreu um bom exemplo de como os mesmos espaços foram reaproveitados ao longo da história.
O sítio foi identificado e escavado a partir de 1877 pelo arqueólogo Estácio da Veiga, um dos pioneiros da arqueologia no Algarve.
Horários e preços
Segundo a bilheteira oficial, o monumento abre de terça-feira a domingo, com horários diferentes ao longo do ano:
- de maio a setembro, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00;
- de outubro a abril, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00;
- última entrada 30 minutos antes do fecho.
Está encerrado às segundas-feiras e em alguns feriados. O bilhete custa 2 euros, com redução para 1 euro para estudantes e maiores de 65 anos, e é gratuito até aos 12 anos. Como o sítio tem sido alvo de obras de requalificação, convém confirmar se está aberto antes da visita.
Uma manhã em Estoi
Milreu visita-se em pouco mais de uma hora, o que permite juntar outra visita no mesmo dia. No verão, o calor aperta ao fim da manhã, e as primeiras horas de abertura são as mais agradáveis para percorrer um recinto todo ao ar livre. A poucos minutos a pé fica o Palácio de Estoi, um palacete do século XIX com jardins e azulejos.
Quem ficar curioso com a vida romana em Portugal tem em Conímbriga o conjunto mais impressionante do país, com mosaicos de grandes dimensões.
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