Em abril de 1963, os trabalhos numa pedreira perto de Montemor-o-Novo abriram por acaso a entrada de uma gruta. Lá dentro estavam vestígios humanos com dezenas de milhares de anos e figuras de animais pintadas e gravadas nas paredes.
A Gruta do Escoural continua a ser a única gruta com arte paleolítica conhecida em Portugal. A arte do Côa, igualmente famosa, está ao ar livre, gravada em rochas junto ao rio.
Uma descoberta por acaso
Segundo os Roteiros Arqueológicos do Alentejo da Universidade de Évora, a gruta foi encontrada a 17 de abril de 1963, durante a exploração de uma pedreira. O valor do achado foi reconhecido de imediato.
A 25 de outubro do mesmo ano, poucos meses depois, foi classificada como Monumento Nacional. A rapidez da classificação mostra a importância que os arqueólogos lhe atribuíram desde o início.
Milhares de anos de ocupação
A gruta foi usada em períodos muito diferentes da pré-história:
- no Paleolítico Médio, há cerca de 50 mil anos, por neandertais;
- no Paleolítico Superior, aproximadamente entre 35 000 e 8000 antes de Cristo, como santuário com arte rupestre;
- no Neolítico, entre cerca de 5000 e 3000 antes de Cristo, como local de enterramentos.
Esta longa sequência faz do Escoural um lugar raro, onde é possível acompanhar transformações profundas na forma de viver dos primeiros habitantes do território.
O que se vê nas paredes
A arte do Escoural inclui pinturas e gravuras de cavalos e bovinos, além de sinais esquemáticos cujo significado continua em estudo. Muitas figuras são discretas e exigem um olhar atento, ajudado pela iluminação e pelas explicações do guia. A presença de muitas pessoas altera a temperatura e a humidade no interior, um equilíbrio que ajudou a preservar as figuras durante milhares de anos.
Não se trata de painéis espetaculares como os das grutas francesas ou espanholas mais famosas. O valor está na raridade: é a prova de que também no atual território português houve arte paleolítica em gruta.
Como visitar
A gruta só se visita com guia e em grupos pequenos, para proteger a arte e o ambiente interior. A Universidade de Évora indica grupos de, no máximo, 10 pessoas e visitas com cerca de 40 minutos.
A marcação prévia é necessária, de preferência com pelo menos 24 horas de antecedência. Os horários e preços podem mudar, por isso convém confirmá-los com o centro interpretativo antes de fazer a viagem. Calçado confortável e com boa aderência é recomendável, porque o piso pode estar húmido.
O Centro Interpretativo da Gruta do Escoural ajuda a enquadrar a visita. Reabriu em 2011 e explica a história da descoberta e das diferentes fases de ocupação.
Um roteiro pré-histórico no Alentejo
O Escoural fica a pouco mais de meia hora de Évora, numa região rica em monumentos megalíticos. Num só dia, é possível juntar a gruta ao Cromeleque dos Almendres, um dos conjuntos de menires mais importantes da Península Ibérica.
Para quem quer continuar a explorar o mundo subterrâneo, há outras grutas bonitas para visitar em Portugal, embora nenhuma com a arte que torna o Escoural único.
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