Os cortinados estão entre as peças têxteis mais esquecidas da casa. Passam meses a acumular pó, fumo da cozinha e resíduos que entram pela janela, e só quando a luz os atravessa se percebe que perderam a cor original.
Lavá-los em casa é possível na maioria dos casos. O cuidado está em escolher a temperatura e a centrifugação certas, porque os tecidos de cortinado encolhem e vincam com facilidade.
Antes da máquina
O primeiro passo é ler a etiqueta, se ainda existir. Depois, convém retirar todos os ganchos, argolas e pesos, que podem danificar o tecido e o tambor da máquina.
Sacudir bem os cortinados ao ar livre, ou aspirá-los com um bocal de escova, elimina grande parte do pó solto. Assim, a água da lavagem trabalha na sujidade entranhada e não no pó superficial.
Os cortinados de grandes dimensões devem ser lavados um de cada vez. Se tiverem forro, convém confirmar se o forro e o tecido exterior admitem a mesma temperatura. O tecido precisa de espaço no tambor para ser bem lavado e enxaguado.
As temperaturas certas
A Candy, fabricante de máquinas de lavar, recomenda temperaturas baixas para a maioria dos tecidos de cortinado:
- algodão: 30 graus, podendo ir até 40 graus nos brancos;
- voile sintético: 30 graus;
- linho: entre 30 e 40 graus;
- seda: no máximo 30 graus, embora estas peças sejam normalmente para limpeza a seco.
Se a máquina tiver um programa específico para cortinados, é essa a escolha indicada. Em alternativa, serve um programa delicado.
Pouca centrifugação
A centrifugação é onde mais cortinados se estragam. Rotações altas criam vincos profundos, difíceis de desfazer, e podem deformar tecidos finos.
Como referência, a Candy aponta cerca de 400 rotações por minuto para gaze de linho e cerca de 800 para linho lavado. As lonas de linho, mais pesadas, devem ser lavadas sem centrifugação.
O detergente deve ser suave e usado em dose moderada. Excesso de detergente deixa resíduos que atraem o pó mais depressa e podem marcar tecidos claros.
A máquina de secar também não é boa aliada. O calor do tambor acelera o encolhimento do algodão e do linho e deixa os vincos marcados. Salvo indicação em contrário na etiqueta, a secagem deve ser feita pendurada.
O truque para dispensar o ferro
O melhor momento para pendurar os cortinados é logo após a lavagem, ainda húmidos. O próprio peso do tecido estica as fibras e reduz os vincos enquanto seca.
Para isso, convém escolher um dia seco e deixar a janela entreaberta. Em tecidos mais pesados, pode ser necessário proteger o chão com uma toalha nas primeiras horas.
O erro mais comum
O erro mais frequente é lavar voile ou linho a 40 graus ou mais, com centrifugação alta. O resultado são cortinados mais curtos do que a janela e cheios de vincos que o ferro não resolve.
Forros térmicos, blackout e cortinados com aplicações merecem cuidado redobrado. Na dúvida, a lavandaria é a opção mais segura.
Já com o pano na mão, é uma boa altura para limpar persianas e estores. O guia completo do fabricante está disponível no site da Candy, em inglês.