Início História D. Pedro V: provavelmente, o melhor governante que Portugal alguma vez teve

D. Pedro V: provavelmente, o melhor governante que Portugal alguma vez teve

Governou o país durante pouco tempo e morreu jovem mas foi, provavelmente, o melhor Rei que Portugal alguma vez teve. Conheça a história de D. Pedro V.

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D. Pedro V
D. Pedro V

 

Nunca um Príncipe herdeiro fora tão preparado para reinar. Instruído numa noção voluntarista de governação e em prol do bem da coisa comum enquanto pupilo de Alexandre Herculano, assim como na aquisição de competências técnicas, políticas e culturais ministradas por Seu Pai, o Rei-Artista que promovia o culto da Arte, e pelos mestres por Ele contratados. O Príncipe Real e Duque de Bragança Dom Pedro dominava desde cedo, fluentemente, o francês, alemão, grego, latim e inglês.

D. Pedro V
D. Pedro V

Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança era ainda muito jovem quando, em consequência do falecimento aos 36 anos de Sua mãe a Rainha Dona Maria II – durante o parto do Seu 11.º filho -, ascendeu ao trono de Portugal com apenas 16 anos, embora o Seu Pai D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha-Koháry (tornou-se Rei de Portugal jure uxoris, após o nascimento do Príncipe herdeiro) tenha permanecido como Regente até à maioridade do novo Rei.

D. Pedro V
D. Pedro V e o seu irmão, D. Luís

Apesar de ser dos monarcas mais inteligentes do seu tempo, e o que mais trabalhou a favor da cultura, em Portugal (comparável ao Rei D. Duarte,) é, para muitos, quase desconhecido. Durante os curtos anos que esteve à frente da Nação, foram inaugurados os primeiros quilómetros da linha férrea do Norte – 1856 (Lisboa – Porto); fundou-se o Curso Superior de Letras (1859); lançaram-se as primeiras linhas telegráficas (1855); e iniciou-se o primeiro-cabo submarino, entre Lisboa, Açores e Estados Unidos.

D. Pedro V. o seu irmão D. Luís e a Rainha Vitória de Inglaterra

Um ano depois da morte da mãe, D. Pedro visitou, com o irmão D. Luís, a Inglaterra, a Bélgica, a Alemanha, a Holanda e a Áustria. Em 1855, entrou em contacto com a realidade vivida em França, no reino de Nápoles, na Santa Sé e na Suíça. Estas viagens vieram complementar os ensinamentos valiosos dos professores, de entre os quais se destaca Alexandre Herculano. Desta forma, o monarca tinha um conhecimento sem par da arte de governar, tanto no nosso país como além-fronteiras.

D. Pedro V
D. Pedro V e a família Real portuguesa

D. Pedro V foi, de facto, um homem de superior inteligência e de excepcional cultura, como o atestam o Diário que escreveu no decorrer das suas viagens pela Europa, os artigos que publicou nas revistas Militar e Contemporânea e pelas cartas de grande valor literário que enviou ao conde de Lavradio e ao príncipe Alberto de Inglaterra.

Era um jovem com uma personalidade muito forte e equilibrada, extremamente culto e ciente das responsabilidades que tinha ao seu cargo. Infelizmente, não teria tempo nem a tranquilidade necessária para poder mostrar tudo aquilo que tinha para oferecer aos súbditos.

 

A famosa Caixa-Verde de D. Pedro V

Os escrúpulos e o amor à verdade, levaram-no a tomar atitude inédita na política. Diz Oliveira Martins: “ Tinha em tanta conta os que o rodeavam, cria tanto neles, que mandou pôr à porta do seu palácio, uma caixa verde, cuja chave guardava, para que o seu povo pudesse falar-lhe com franqueza, queixar-se, acusar os crimes dos governantes.”

Dizem, que teve que a retirar, porque o povo ou os políticos, lançaram, em lugar de pedidos e queixas, insultos e palavras injuriosas. Quando se pretende dar voz a quem não a tem, os “democratas” não gostam…

 

Uma educação esmerada 

D. Pedro V tinha fama de ser sobredotado, tais eras as suas capacidades intelectuais e a sua rapidez de aprendizagem. O seu grande mestre ao longo de toda a vida foi Alexandre Herculano. Aos 10 anos teve como mestra D. Maria Carolina Mishisch. Seguiu-se Martins Basto. Aprende latim. Com 6 meses de estudo, traduz Eutrópio e Fedro; e aos 12 anos, consegue verter, para a língua pátria, textos de Virgílio, Tito Lívio e Cícero. Aprende depois: pintura, filosofia e línguas vivas.

Alexandre Herculano
Alexandre Herculano

Aos 17 anos (1854) viaja para Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha e França; e no ano seguinte visita Itália e Suíça. Não viaja para se divertir, mas para aprender e contactar com políticos e homens de cultura. Lê imenso: livros e revistas generalistas e de economia. Era de sensibilidade e dedicação invulgar: Quando o pai (Papá), como escreve no diário, estava doente, passava, grande parte do dia, junto do leito, lendo-lhe artigos publicados em jornais, para entretê-lo e para poder estar ao par do que se passava.

 

O estranho caso de Josefina

Em Agosto de 1855, acabado de chegar de Inglaterra e a semanas de ser aclamado rei de Portugal, D. Pedro V é surpreendido pela estranha presença de uma bonita rapariga no seu quarto de Palácio das Necessidades. A jovem Josefina, filha de um dos oficiais da secretaria do Paço, que vivia na Rua do Livramento a Alcântara, não consegue justificar a sua presença nos aposentos privados do Rei.

A situação é embaraçosa para ambos. As duvidosas intenções de um cortesão interessado em alcovitar futuras benesses do jovem monarca forçara a pobre Josefina a tão constrangedora posição. Apercebendo-se da angústia da jovem, já no limiar das lágrimas, D .Pedro finge, piedosamente, entender que ela se teria apenas enganado na porta.

 

O casamento com D. Estefânia

A 29 de abril de 1858, D. Pedro V casou com a princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen por procuração, assinada em Berlim, na igreja de Santa Edviges. D. Estefânia foi “encontrada” pela Rainha Vitória da Inglaterra que, por tanto admirar D. Pedro V, procurou entre todas as casas reais europeias por uma noiva à altura do Rei português. A princesa chegou a Portugal pouco tempo depois e, a 18 de maio do mesmo ano, celebrou-se o enlace real em Lisboa.

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Rainha D. Estefânia

A simpatia e bondade da nova rainha cativaram desde logo o povo português. Também o rei se enamorou por D. Estefânia, amor esse que era correspondido pela esposa, que lhe retribuía as atenções com a afirmação de que eram feitos um para o outro. Porém, este estado de graça durou pouco tempo. A 17 de Julho de 1859, a jovem rainha faleceu vítima de difteria, o que provocou um enorme golpe no monarca.

O casal não teve filhos e D. Pedro V não voltou a casar, deixando por resolver a questão da sucessão. Em homenagem à rainha amada, o rei fundou, em Lisboa, o hospital que foi baptizado com o nome da esposa.

 

O Amor pelo Povo

Quando a epidemia de Cólera (1855-56) se espalhou por Lisboa, seguido de Febre-amarela (esta iniciou-se no Porto,) parte da população da cidade foge para a província. D. Pedro não só recusa abandonar a Capital, como visita hospitais; entra nas enfermarias e conversa afectuosamente com os doentes. Sabendo que há muitas crianças órfãs, auxilia-as, correndo as despesas do seu próprio bolso.

Alves Mendes, na “ Oração Fúnebre”, nas exéquias do Rei, afirma a determinado passo: “ É em balde que alguém o aconselha para que mudasse de sistema. Não! Dizia ele a seus ministros: diante da crise que dizima meus povos, não será meu coração que descanse, nem meu braço que deixe de trabalhar! …”

 

A morte prematura

Em meados de 1861, o Rei desloca-se para Vila Viçosa. Depois, de curta estadia, percorre várias localidades, sendo recebido acaloradamente pelo povo. Chegado a Lisboa, sente-se mal, e faleceu, decorridos poucos dias (11 de Novembro de 1861, pelas 19H00) Morreu viúvo e sem filhos. Terminava desta forma abrupta o reinado de o Esperançoso, permanecendo a sensação de que, para além de se ter perdido um grande homem, a nação não pôde usufruir, em pleno, das capacidades governativas do rei de Portugal.

Alexandre Herculano, assevera que o Rei, possuía alma pura e era de nobreza excepcional. Por tudo isso ficou conhecido pelo cognome de “ Muito Amado”. Por muito ter amado: a Pátria, e principalmente o povo humilde. Jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. Diz-se, no seu funeral, Alexandre Herculano terá chorado como uma criança tal foi o desgosto em perder prematuramente o seu pupilo.

 

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