A 450 metros de altitude na Serra da Freita, em São Pedro do Sul, Covas do Monte tem pouco mais de meia centena de habitantes e 2500 cabras. A proporção não é exagero promocional — é o número real de uma aldeia onde o gado define o ritmo do dia tanto ou mais do que as pessoas.
Todas as manhãs, o gado sobe ao monte guardado pelo pobreiro — um cargo que passa rotativamente por todos os habitantes, sem exceção.
É um sistema de organização comunitária que sobreviveu porque continua a fazer sentido: ninguém fica permanentemente responsável, todos partilham a tarefa, e o gado tem sempre alguém a vigiá-lo.
As casas de xisto e a água das nascentes
As casas, em xisto com telhados de lousa, dispõem-se em ruas sinuosas no sopé da montanha — a tipologia que define toda esta região da Serra da Freita.
A água das nascentes é encaminhada para a aldeia e distribuída pelos campos através de um sistema de regadio tradicional, que continua a funcionar com a lógica que tinha há gerações.
Bovinos, ovinos e caprinos saem diariamente para os montes e voltam ao fim da tarde — cada animal para a sua casa, num ritual que se repete todos os dias e que vale a pena observar de perto. É um daqueles momentos que parecem coreografados mas que são apenas o resultado de gerações de hábito, animal e humano.
O caminho até lá
Chegar a Covas do Monte exige atravessar a Serra de São Macário antes de chegar à Serra da Freita. O caminho é sinuoso, com vistas que se abrem sobre as serras de Montemuro e da Gralheira ao longe. É uma viagem que já vale por si — e que prepara o visitante para a escala e o isolamento da aldeia.
O restaurante da Associação
O Restaurante da Associação dos Amigos de Covas do Monte funciona numa antiga escola primária, com vista para a serra. A ementa tem cabrito da Gralheira e vaca Arouquesa — raças autóctones certificadas, criadas nestas encostas com métodos que não mudaram significativamente ao longo de décadas.
É também o ponto de encontro da romaria de fim de semana — o momento em que a aldeia recebe mais gente do que o habitual.
A Serra da Freita em redor
Drave, Pena e Janarde são outras aldeias da Serra da Freita que merecem visita — cada uma com a sua escala e o seu grau de isolamento. A região tem rios de água limpa, cascatas e praias fluviais, e uma densidade de aldeias de xisto bem conservadas que justifica uma visita de vários dias em vez de uma passagem rápida.
O despovoamento afetou esta região como afetou tantas outras do interior — os mais jovens partiram, os mais velhos ficaram. Mas o turismo trouxe alguma vida nova, sem que isso tenha alterado significativamente o que a região sempre foi.
Covas do Monte não tem monumentos nem atrações no sentido convencional. Tem cabras, xisto, água de nascente e um sistema de pastoreio rotativo que continua a funcionar porque sempre funcionou.
É o tipo de lugar onde se vai para ver como a vida rural ainda acontece — não reconstituída, não montada para visitantes, simplesmente a continuar.







