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Castelo Novo: um pequeno (grande) segredo para descobrir na Serra da Gardunha

Castelo Novo: um pequeno (grande) segredo para descobrir na Serra da Gardunha
Castelo Novo: um pequeno (grande) segredo para descobrir na Serra da Gardunha

Há aldeias que se impõem pela monumentalidade. Outras, como Castelo Novo, conquistam pelo equilíbrio. Entre o granito das casas, o verde da Serra da Gardunha e a luz ampla da Cova da Beira, esta aldeia histórica do concelho do Fundão construiu uma identidade discreta, mas sólida.

O casario organiza-se em redor das muralhas e sobe a encosta até às ruínas do Castelo de Castelo Novo. Lá do alto, a vista estende-se por pomares e vales, lembrando que este foi, durante séculos, um ponto estratégico. Hoje, é sobretudo um miradouro privilegiado sobre a paisagem.

Um passado com marca Templária

A história documentada começa no reinado de D. Sancho I, quando as terras foram doadas aos Templários. O castelo terá tido origem nesse período, sendo posteriormente reformulado por D. Dinis, o que explica a presença de elementos de transição para o gótico.

Ao descer das muralhas para o interior da aldeia, surgem o antigo Paço dos Comendadores e o pelourinho manuelino — sinais de um tempo em que Castelo Novo tinha relevância administrativa e militar.

Mas a verdadeira experiência faz-se a pé. As ruas estreitas revelam portais trabalhados, pequenas janelas e pátios interiores. A cada esquina, a pedra conta uma história diferente.

A água como fio condutor

Um dos traços mais distintivos da aldeia são as fontes de granito, que asseguraram durante séculos o abastecimento da população. A Fonte da Vila e a Fonte da Lagartixa são exemplos de como funcionalidade e estética se cruzam num mesmo elemento.

O som da água acompanha o percurso e reforça a sensação de frescura, sobretudo nos meses mais quentes. No inverno, as lareiras acesas contrastam com o exterior austero da serra.

Cerejas, trilhos e horizonte aberto

Se há imagem que define a região, é a das cerejeiras em flor. A primavera transforma a paisagem num mosaico branco e rosado, antecipando a colheita da cereja do Fundão — produto emblemático que marca o calendário agrícola e festivo.

A Gardunha, integrada na Rede Natura 2000, oferece dezenas de quilómetros de percursos pedestres e trilhos de BTT. Há também quem procure a serra para voos de parapente ou passeios mais longos de bicicleta, explorando a diversidade de habitats e formações rochosas.

Lendas e tradição

Castelo Novo preserva igualmente o seu lado imaterial. A lenda de Belisandra, associada a práticas de feitiçaria e à proteção da aldeia contra uma praga de gafanhotos, continua a ecoar na tradição local. A procissão ao Senhor da Misericórdia, no primeiro domingo de setembro, mantém essa memória viva.

Nos arredores, vale a pena prolongar a visita até Alpedrinha, conhecida pelo património barroco, ou seguir viagem até à Serra da Estrela, a cerca de meia hora.

Para descobrir sem pressa

Castelo Novo não exige pressa nem roteiro rígido. Pede tempo para subir ao castelo, observar a encosta, provar os produtos locais e perceber como a serra moldou o quotidiano de gerações.

Entre muralhas medievais, tradição agrícola e paisagem protegida, afirma-se como um dos destinos mais consistentes do interior centro. Um lugar onde a história se integra na paisagem e a paisagem dita o ritmo da visita.

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VxMag

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