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Como os salmões sabem voltar ao rio exato onde nasceram

Fernando Alves by Fernando Alves
Ago 9, 2026
in Natureza
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Um salmão nasce num pequeno troço de rio, desce até ao mar, passa anos a alimentar-se no oceano aberto — e depois, quando chega a altura de se reproduzir, regressa exatamente ao mesmo troço de rio onde nasceu, entre milhares de outros rios possíveis.

Como é que um peixe consegue uma proeza de navegação destas?

A hipótese que um cientista testou tapando o nariz

A explicação começou a ganhar forma em 1951, quando os zoólogos Arthur Hasler e Warren Wisby propuseram que os salmões conseguem distinguir o seu rio natal pelo cheiro — uma combinação química única, memorizada quando ainda são muito jovens.

Para testar a ideia, em 1954, tapou-se as fossas olfativas de salmões antes de os libertar a montante de uma bifurcação do rio. Os salmões sem o olfato bloqueado escolheram o ramo certo do rio quase 100% das vezes; os que tinham o olfato bloqueado escolheram ao acaso, acertando apenas cerca de metade das vezes.

Uma memória gravada antes de partirem para o mar

Este processo chama-se impressão olfativa: enquanto ainda são jovens, antes de migrarem para o oceano, os salmões memorizam a assinatura química exata da água do seu rio natal — uma combinação de compostos orgânicos dissolvidos e características específicas daquele local.

Investigação mais recente sugere que esta memorização pode acontecer em várias fases, começando ainda antes de os peixes deixarem os cascalhos onde nasceram.

O oceano exige um sistema diferente

O olfato explica apenas a última etapa da viagem, junto à foz do rio — não consegue, sozinho, explicar como um salmão atravessa milhares de quilómetros de oceano aberto até encontrar a costa certa.

Para essa fase mais longa, a explicação principal envolve a deteção do campo magnético da Terra: os salmões parecem também memorizar as características magnéticas específicas do local onde entraram no oceano pela primeira vez, usando-as depois como uma espécie de bússola de longa distância no regresso.

Quando o processo corre mal

Segundo uma revisão científica publicada na Reviews in Fish Biology and Fisheries, salmões criados em viveiro, sem passarem pela sequência natural completa de água do rio durante o período crítico de memorização, tendem a errar de rio com muito mais frequência do que os salmões selvagens.

Isto reforça a ideia de que este comportamento não é apenas instinto genético cego, mas uma memória aprendida, dependente de uma sequência precisa de experiências durante os primeiros meses de vida.

Uma viagem que combina memória e magnetismo

O regresso do salmão ao seu rio natal não é uma proeza única, mas duas capacidades distintas a trabalhar em conjunto: uma bússola magnética para a travessia do oceano, e uma memória de cheiro extraordinariamente precisa para os últimos quilómetros — uma das combinações de navegação mais sofisticadas conhecidas em qualquer animal.

Fontes:

  • How do spawning fish navigate back to the very same stream where they were born? — Scientific American:https://www.scientificamerican.com/article/how-do-spawning-fish-navigate-back/
  • How Salmon Find Their Way — Alaska Department of Fish and Game:https://www.adfg.alaska.gov/index.cfm?adfg=wildlifenews.view_article&articles_id=668
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Fernando Alves

Fernando Alves

Fernando Alves é professor e editor, com formação em Ciências Naturais e mais de duas décadas de experiência a escrever e a ensinar. Assina na VortexMag artigos sobre natureza, viagens, história e atualidade, sempre com o mesmo cuidado de verificar cada facto antes de o publicar.

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