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Couto Misto: o país que existiu durante 800 anos entre Portugal e Espanha

Embora a grande maioria das pessoas desconheça, existiu um pequeno país durante 800 anos encravado entre Portugal e Espanha. Conheça o Couto Misto.

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Couto Misto: o país que existiu durante 800 anos entre Portugal e Espanha

Muito do que se conhece sobre este território raiano. o Couto Misto (Couto Mixto em Galego), suas normas, usos e costumes, provém dos relatórios diplomáticos produzidos à época das negociações do Tratado de Lisboa (1864).

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Tourém

O Couto Misto foi um microestado independente de facto encravado entre Espanha e Portugal, com existência entre o século X e 1868. Embora se desconheça a origem de sua instituição, ligada desde a Baixa Idade Média ao Castelo da Piconha, posteriormente vinculado à poderosa Casa de Bragança, constituía-se numa pequena área fronteiriça de cerca de 27 km² com organização própria, que não estava ligada nem à Coroa de Portugal e nem à da Espanha.

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Tourém

Entre os direitos e privilégios deste pequeno território encontravam-se o de asilo para os foragidos da justiça portuguesa ou espanhola, o de não dar soldados nem para um reino nem para o outro, o de isenção de impostos, o de liberdade de comércio (como o sal, objecto de estanco até 1868), a liberdade de cultivos como o do tabaco, e outros. Até à assinatura e entrada em vigor do Tratado de Lisboa (1864), em 1868, cada habitante do Couto elegia livremente a nacionalidade espanhola ou portuguesa.

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Couto Misto

A partir do Tratado, os seus domínios passaram para a soberania da Espanha, integrados nos Concelhos de Calvos de Randín (aldeias de Santiago e Rubiás ou Ruivães) e Baltar (aldeia de Meaus ou Meãos). Em contrapartida, passavam para a soberania de Portugal os chamados “povos promíscuos“, até então divididos pela linha da raia, actuais Soutelinho da Raia, Cambedo e Lama de Arcos (Chaves).

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O território do Couto Misto ainda incluía uma pequena faixa desabitada que hoje integra o município português de Montalegre. Os habitantes do Couto Misto não se encontravam obrigados a uma ou outra nacionalidade, podendo inclinar-se, dependendo de razões geográficas, familiares ou tradicionais, por uma, por outra, ou por nenhuma.

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O momento em que tradicionalmente se exercia essa opção era no dia das bodas: os que optavam por Portugal bebiam um cálice de vinho pela honra e à saúde do rei português, inscrevendo a letra “P”, de Portugal, à porta do domicílio conjugal; aqueles que optavam pela Espanha, brindavam à honra e saúde do rei espanhol, inscrevendo a letra “G”, de Galiza, em seu domicílio.

Cambedo da Raia – Fernando Ribeiro

A prática foi substituída pela inscrição de outras simbologias, a partir de meados do século XIX, quando as autoridades de ambos os países começaram a questionar os privilégios do Couto. Concretamente, os seus habitantes não estavam obrigados a utilizar documentos de identidade pessoais, não estando sujeitos aos efeitos jurídicos de uma nacionalidade: eram considerados como “mistos”.

Meaus (1)

Como território independente de facto, os habitantes do Couto Misto detinham vários privilégios, como a isenção de serviço militar e de impostos, e podiam conceder asilo a estrangeiros ou opor-se ao acesso a forças militares estrangeiras.

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20 Comentários

  1. Muito interessante esse resgate histórico do “Couto Mixto”. Embora desconhecesse essa história, acredito ter ligações de sangue com essa gente, pois minha bisavó descendia de uma família de sobrenome “do Couto”.

    • Boa noite Francisco!
      Sim, nós sabemos. A foto foi colocada propositadamente no artigo porque a resolução do problema do couto misto entre Portugal e Espanha implicou a passagem da totalidade da aldeia de Lamadarcos para Portugal, quando outrora, como bem disse, a aldeia era dividida ao meio entre os dois países.
      Muito obrigado pelo seu contributo!

      • Por favor, legendar sempre! Interessantíssimo! Portugal ficou hoje um pouco mais rico na conservação sua Historia! Nem como a Galiza!

  2. Desconhecia por completo esta linda parte da nossa gloriosa história.
    Eu que só leio livros de história, sinto-me um analfabeto ao tomar conhecimento deste rico naco histórico.
    Parabéns ao blogue. Vou já incluí-lo nos meus favoritos !!!

    Ah…e obrigado por ser leitor do Portugal Glorioso.

  3. A Espanha “nasceu” com o casamento de Isabel de Castela com Fernando de Aragão.Como é possível existir um estado com 800 anos entre Portugal e Espanha?????!!!!

  4. Gostei de saber um pouco mais de história e em especial sobre “Couto Misto”. Um espaço entre Portugal e Espanha.

  5. Bom dia VxMag!

    O face alerta-me para o facto de 374 pessoas gostarem do meu comentário sobre Tourém na vossa excelente e útil Página de divulgação histórica. Gostaria de retribuir com um modesto texto focando o papel de Tourém e outras povoações portuguesas do Barroso durante a Guerra Civil de Espanha, na ajuda solidária a foragidos e guerrilheiros antifranquistas, mas receio que o espaço a utilizar, embora sintetizado, exceda os limites adequados à vossa Página. Que fazer?

    • Boa tarde Manuel!

      Teremos todo o gosto em contar com a sua colaboração. Pode enviar a sua contribuição para o nosso mail: info@vortexmag.net. Não se preocupe com o tamanho do texto. Se for muito grande, nos paginamos e fica mais fácil de ler.

      Muito obrigado!

  6. Estou muito curiosa para ler mais sobre o Couto Mixto afinal minhas origens estão encravadas ai neste paraíso.
    Por favor, preciso encontrar informações sobre a Aldeia de São João de Amorim, a batalha de Nava e o que diz as histórias de que Hilário de Amorim veio para Ponte de Lima e casou-se com a filha de Garcia Lopes Calheiro. Mas ate onde tenho o 1º Garcia começa em 15….e penso que este casamento ocorreu por volta de 1200.

  7. Importantes estudos que foron impresos en livros, foron realizados polo excomisário de polícia espanhola García Mañá. Tambén hai perto de 25 anos a televisión de galicia fixo documentais sobor do Couto Mixto. Uns exemplos de datos é que a quase totalidade do território do couto, foi para Espanha e á populaçao livremente en plebiscito, escolheu a cidadanía portuguesa

  8. Também tenho interesse em saber mais sobre o “Couto Mixto”, minha avó nasceu nessa região e tinha no sobrenome “Do Couto”. Ela contava que ia a pé, vender pão na Espanha. Onde posso obter mais informaçoes a respeito ? Gosto muito das matérias que publicam, obrigado por compartilharem!

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