Abacaxi, jacaré, capivara, tapioca. Palavras usadas todos os dias em português — sobretudo no Brasil, mas também em Portugal — que não vêm do latim, nem do árabe, mas das línguas indígenas faladas no Brasil muito antes da chegada dos portugueses.
Abacaxi
Vem do tupi ibá-catu, associado à ideia de “fruta cheirosa” ou, segundo outras fontes etimológicas, “fruto de cheiro forte” — uma referência direta ao aroma intenso da fruta madura.
Curiosamente, em Portugal a mesma fruta chama-se “ananás”, palavra de origem completamente diferente, vinda do tupi-guarani através do espanhol e de outras línguas europeias — o que faz do abacaxi um raro caso de duas palavras indígenas distintas a coexistir para o mesmo fruto, cada uma dominante numa variante do português.
Jacaré
Do tupi îakaré, palavra que significa literalmente “aquele que olha de lado” — uma descrição bastante precisa da forma como os olhos deste réptil se posicionam na cabeça, permitindo-lhe observar o ambiente à volta mesmo com o corpo quase totalmente submerso.
Capivara
Vem do tupi kapi’wara, que significa “comedor de capim” — uma referência direta à dieta herbívora deste roedor, o maior do mundo, que se alimenta sobretudo de vegetação junto a rios e lagoas.
Tapioca
Do tupi típy’óka, que significa “resíduo coado”, numa referência ao processo tradicional de extração da fécula da mandioca, espremida e coada para separar o amido usado na produção deste alimento.
Mandioca
A própria palavra “mandioca” vem do tupi mani’oka, associada, segundo a tradição oral indígena, a uma lenda sobre uma criança chamada Mani, de cujo túmulo teria nascido a primeira planta desta raiz.
Uma herança viva, não uma curiosidade morta
Ao contrário de muitas palavras de origem estrangeira, que entraram no português através da escrita e do comércio, estas palavras entraram através do contacto direto entre povos — os colonos portugueses aprenderam estes nomes com quem já conhecia estas plantas e animais havia milhares de anos.
Sempre que dizes “capivara” ou “jacaré”, estás, sem dar por isso, a usar uma palavra mais antiga em terras brasileiras do que a própria língua portuguesa que a incorporou.
Fontes
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