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Palavras portuguesas de origem italiana que usamos sem saber

Palavras portuguesas de origem italiana que usamos sem saber, de "esparguete" a "aquarela", herança sobretudo da música e das artes.

Palavras portuguesas de origem italiana que usamos sem saber
Palavras portuguesas de origem italiana que usamos sem saber

Esparguete, aquarela, piano, alarme. Palavras tão comuns no vocabulário português do dia a dia que raramente associamos a uma origem estrangeira — mas todas vieram do italiano, sobretudo através da música e das artes.

A música trouxe consigo o vocabulário

A Itália praticamente definiu o vocabulário musical europeu entre os séculos XVI e XVII, e o português absorveu diretamente dezenas de termos dessa tradição: “piano”, “ária”, “soprano”, “tenor”, “maestro”, “sonata”, “serenata” e “violino” são apenas alguns exemplos de palavras musicais de origem italiana totalmente integradas no português.

Mesmo “trombone” e “violoncelo”, instrumentos que hoje parecem completamente naturais ao vocabulário português, seguem esta mesma origem.

Das artes plásticas ao dia a dia

Para além da música, as artes plásticas também deixaram a sua marca: “aquarela” (do italiano “acquerello”), “caricatura” e “afresco” chegaram ao português através da influência de pintores e artistas italianos, cuja técnica e vocabulário se tornaram referência em toda a Europa.

A gastronomia, a fonte mais óbvia

A culinária é, talvez, a área onde a origem italiana das palavras é mais evidente, mesmo assim: “esparguete” (do italiano “spaghetti”), “lasanha”, “ravioli” e “talharim” mantêm uma ligação sonora clara ao italiano, ao contrário de muitas outras palavras já completamente disfarçadas.

Curiosamente, segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, a forma “esparguete” (usada em Portugal) desenvolveu-se de forma ligeiramente diferente da forma “espaguete” (usada no Brasil), por influência da palavra “espargo” — um pequeno exemplo de como uma mesma palavra estrangeira pode evoluir de forma distinta consoante a variante do português que a absorve.

Palavras que nem parecem ter passado pelo italiano

“Alarme” e “artesão”, palavras completamente integradas no vocabulário quotidiano português, têm também raízes italianas — casos em que a origem estrangeira é praticamente impercetível sem investigação etimológica específica.

Uma influência menos falada do que a francesa ou a árabe

Comparada com a influência do francês ou do árabe na língua portuguesa, a contribuição italiana costuma passar mais despercebida, apesar de ser significativa — talvez precisamente porque muitas destas palavras entraram através de domínios especializados, como a música clássica, em vez do vocabulário mais geral do dia a dia.

Uma herança cultural, não só linguística

Cada uma destas palavras é também um pequeno testemunho de como a cultura italiana — música, pintura, culinária — influenciou profundamente o resto da Europa durante séculos, deixando marcas que continuam vivas em conversas do dia a dia, muito depois de a maioria das pessoas ter esquecido a sua origem estrangeira.

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