Abajur, batom, garagem, chalé. Palavras tão comuns em português que já ninguém as associa a uma origem estrangeira — mas todas vieram do francês, numa época em que essa língua dominava a moda, a decoração e a vida urbana europeia.
Abajur
Vem do francês abat-jour, que significa literalmente “abater a luz” ou “reduzir a luz”. O termo nasceu em Paris para descrever um dispositivo que suavizava a luz direta de um candeeiro — e manteve-se praticamente inalterado ao longo dos séculos, apenas adaptado à ortografia portuguesa.
Batom
Do francês bâton, que significa simplesmente “bastão” ou “pedaço de madeira alongado” — uma referência à forma cilíndrica do próprio objeto, e não a qualquer propriedade cosmética específica.
Garagem
Vem do francês garage, palavra derivada do verbo garer, “estacionar” ou “abrigar”. A palavra entrou no vocabulário europeu junto com o próprio automóvel, no início do século XX, quando praticamente todo o vocabulário técnico ligado a carros vinha de França.
Chalé
Do francês chalet, que designava originalmente uma pequena habitação de montanha, típica dos Alpes suíços e franceses, normalmente construída em madeira. Em português, o termo alargou-se para designar qualquer casa unifamiliar com determinado estilo arquitetónico.
Creche
Vem diretamente do francês crèche, que significava originalmente “manjedoura” — a mesma palavra usada nas representações do Presépio de Natal — antes de passar a designar um espaço de acolhimento de crianças pequenas.
Uma influência que atravessou séculos de moda e cultura
Segundo investigação sobre galicismos na língua portuguesa, o francês foi uma das línguas que mais contribuiu com empréstimos vocabulares para o português, sobretudo nas áreas da moda, da gastronomia, da decoração e dos objetos do quotidiano — um reflexo direto do prestígio cultural que França teve na Europa entre os séculos XVIII e XX.
Palavras que deixaram de soar estrangeiras
Nenhuma destas palavras soa hoje a francês para um falante de português — foram completamente absorvidas, adaptadas na pronúncia e na escrita, até se tornarem tão portuguesas quanto qualquer palavra de origem latina. É assim que as línguas crescem: não por decreto, mas por décadas de uso partilhado entre povos vizinhos.
Fontes
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