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O mais estranho dos Castelos de Portugal

A fortificação no seu conjunto é uma peça de arquitectura militar única em Portugal. Devido ao alongamento da crista e à quase ausência de uma plataforma horizontal no seu topo os troços superiores das duas vertentes das encostas opostas, estão dentro do perímetro amuralhado.

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Castelo de Évoramonte - Pedro Jorge Matos

Fica em Évoramonte, no Alentejo, e é um dos mais invulgares castelos de Portugal. O Castelo de ÉvoraMonte será um dos raros castelos portugueses que alia características únicas: pelo conjunto arquitectónico que enquadra, pela excelência da paisagem que dele se pode desfrutar, mas também pela sua importância histórica — visto que foi lá o encontro dos generais que em 26 de maio de 1834 puseram fim à única mas sangrenta guerra civil que Portugal conheceu.

Encimando a colina surge o monumento, atualmente conhecido por Torre/Paço de Évora Monte. Mandada construir nos inícios do século XVI pelos primeiros Duques de Bragança, D. Teodósio e D. Jaime, segundo as teorias históricas mais consensuais, é por muitos considerada como demonstração e símbolo do poderio da recém-nascida Casa de Bragança, pela sua localização, grandeza e visibilidade a muitos quilómetros de distância.

Castelo de Évoramonte

Com uma arquitectura única em toda a Península Ibérica, da responsabilidade dos irmãos Arrudas, a Torre/Paço de Évora Monte parece ter cumprido duas funções muito diferente, uma vez que o seu aspecto de baluarte militar não seria mais do que uma exteriorização do poderio de quem a habitava, sendo apenas usada para jornadas de caça.

Contrastando com a leitura da aparente fragilidade da espessura das muralhas, devido à sua extensão, impõem-se cinco imensos bastiões de desenho italiano, de traçado cilíndrico, colocados em grande conformidade com as novas teorias de defesa com artilharia, que se desenvolviam no Europa do Sul, em especial no Norte da Itália.

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Os cinco bastiões foram projectados para bater longitudinalmente as extensas muralhas que guarneciam. Das casamatas inferiores disparava-se sobre o terreno próximo, em comparação com as plataformas superiores destinadas a alcançar com a artilharia as longas distâncias.

A estrutura destes elementos fascinantes da fortificação moderna estava preparada para absorver o impacto da artilharia de ataque. As paredes em tambor são de uma enorme espessura. As camadas exteriores de pedra ocultam um núcleo interno em taipa que funcionava como camada de amortecimento do choque quando a camisa exterior se começava a desmoronar.

Castelo de Évoramonte
Castelo de Évoramonte

O Paço Fortificado também de desenho italiano é uma das jóias da arquitectura militar renascentista em Portugal. A uma planta central quadrada estão adossados quatro meios torreões circulares. Canhoneiras e frestas de tiro estão convenientemente posicionadas exprimindo uma função militar que é reforçada pelos elementos decorativos alegóricos que integram as grossas colunas que sustentam o núcleo central do conjunto.

Castelo de Évoramonte
Castelo de Évoramonte

Duas pontes levadiças protegiam simbolicamente as entradas dos carros e das pessoas. Esta simbólica renascentista exibe-se de forma muito visível no exterior do imenso edifício pelos cordões que marcam os pisos e que se entrelaçam a meio das quatro faces.

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