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História esquecida de Portugal: o massacre de Lisboa em 1506

É um dos episódios mais negros da história de Portugal. Na Páscoa de 1506, uma simples opinião deu origem a um massacre onde morreram 4 mil pessoas.

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massacre de Lisboa em 1506
Lisboa

Foi um dos episódios mais negros da história de Lisboa e de Portugal e resultou na morte de milhares de inocentes, tudo por causa do fanatismo religioso de alguns e da passividade de outros. Numa altura em que os ódios religiosos voltam a estar na ordem do dia, é importante recordar o massacre de Lisboa de 1506. Lisboa, Convento de S. Domingos, 19 de Abril de 1506, domingo de Pascoela cristã, três horas da tarde. A peste assolava a capital desde Outubro do ano anterior, situação dramaticamente ampliada pela seca e pela fome.

Igreja de São Domingos
Igreja de São Domingos

O rei D. Manuel I refugiara-se em Abrantes. As ruas exibiam os horrores da tragédia. O convento estava repleto de desesperados cristãos – velhos e novos – esperando um sinal divino que acudisse àqueles que não tinham posses ou condições de fuga.

Rei D. Manuel I
Rei D. Manuel I

Constava que um milagre se manifestara no dia 15 desse mês naquele templo dominicano. A vontade de crer era demasiado forte para descrer em qualquer sinal, por pequeno ou inacreditável que fosse.

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Lisboa

O sinal implorado com toda a convicção repetiu-se. Uma luz brilhou, incandescente, no crucifixo da capela da Igreja. Todos viram. Todos rejubilaram. Todos se sentiram recompensados pela crença profunda e sincera.

Todos? Não. Na verdade, houve um que ousou duvidar da natureza divina da luz. Segundo ele, a luz provinha de uma das muitas candeias acesas naquele convento. Era um cristão-novo: heresia!

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Lisboa

A situação criada com o baptismo forçado, em 1497, era explosiva. Qualquer sinal de hipotético judaísmo poderia gerar a animosidade cristã. Na verdade, cristão-novo – converso convicto ou não – permanecia eternamente judeu aos olhos da população maioritariamente cristã.

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Lisboa

Foi nesta conjuntura, favorável ao antijudaísmo, que o citado cristão-novo cometeu a imprevidência. Mal proferiu a contraproducente «blasfémia», o povo caiu sobre ele, arrastou-o para a rua e agrediu-o barbaramente até cair inanimado.

Prostrado no Largo de S. Domingos, foi identificado pelo irmão, que se debruçou sobre o seu cadáver e gritou lancinantemente: «Quem matou meu irmão?!». Acto contínuo, foi igualmente executado pela turba, que, de pronto, acendeu uma fogueira e queimou os dois infelizes cristãos-novos.

Lisboa
Lisboa

Num clima de intolerância crescente, surgiu um frade que proferiu um inflamado sermão antijudaico, enquanto o povo se aglomerava em torno da «redentora» fogueira, aos quais se juntariam mais dois frades dominicanos, Frei João Mocho e Frei Bernardo, exibindo o crucifixo «milagreiro» e fazendo apelos sanguinários contra os judeus: «Heresia! Heresia! Destruam o povo abominável!…».

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Lisboa

E assim se espalhou o povo pelas ruas de Lisboa, procurando cristãos-novos que passavam desprevenidos, forçando a entrada nas suas casas, capturando aqueles que se haviam recolhido nas igrejas, carregando mortos e vivos para as fogueiras que se acendiam na capital.

Foram três dias de terror, pilhagem e carnificina, de que resultariam, de acordo com os cronistas coevos, entre dois e quatro mil mortos.

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Lisboa

O cronista Damião de Góis relatou assim este horroroso episódio:

“A esta turma de maus homens e dos frades, que sem temor de Deus andavam pelas ruas, concitando o povo a esta tamanha crueldade, se ajuntaram mais de mil homens da terra, da qualidade dos outros, que todos juntos a segunda-feira continuaram nesta maldade com mor crueza e, por já nas ruas não acharem nenhuns cristãos-novos, foram cometer, com vaivéns e escadas, as casas em que viviam, ou onde sabiam que estavam e, tirando-os delas a rasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres e filhos, os lançavam, de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade e era tamanha a crueza que até nos meninos e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços e esborrachando-os de arremesso nas paredes”.

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Embora tardiamente, o rei castigou duramente o povo de Lisboa: sentenciou os responsáveis pela chacina a penas corporais e à perda dos seus bens a favor da Coroa; mesmo os que não tivessem participado no massacre e no saque perderiam um quinto dos seus bens; suspendeu a eleição dos representantes da Casa dos Vinte Quatro e dos seus quatro representantes à vereação municipal lisboeta; retirou as honrarias da cidade; mandou executar cerca de meia centena de amotinados e os dois frades dominicanos, frei João Mocho e frei Bernardo, verdadeiros instigadores do massacre.

15 COMENTÁRIOS

  1. Os bolcheviques eram na sua maioria judeus e mataram milhões de cristãos e muçulmanos,apartir do momento que tomaram o poder na Russia. Claro, queisto não é falado como tal porque se escondem por detrás do termo “comunismo”.

    • Certo que entre os bolsheviques havia um número expressivo de judeus, que aderiram à doutrina comunista na esperança de igualdade ante a lei, já que eram tremendamente discriminados no regime czarista. Mas afirmar sem fontes que a maioria era de judeus serve mais ao preconceito do que aos fatos históricos. E a história registra que após um certo tempo da ascensão de Stalin, foram cruelmente perseguidos, deportados e assassinados. Vide a “conspiração dos médicos”, por exemplo.

    • Não sei de onde tirou isto. É verdade que muitos judeus se juntaram aos comunistas mas se ler a história de Nicolau II qualquer nazista ficaria contra o rei.

  2. Creio que não existe história seja de que país for, que não tenha tido actos horriveis de violência e de perseguições a minorias religiosas ou de ideias diferentes. Infelizmente a Religião tem sido a causa de muitas guerras entre o ser humano e, já não falando, no que se está a passar actualmente no mundo, creio que uma grande parte dos comentadores devem recordar-se do que se passou na Irlanda, pois não foi assim há tanto tempo! Acreditem, o ser chamado Humano é o pior “bicho” que existe neste planeta chamado Terra. Os chamados irracionais matam para sobeviver. O Homem mata por discordar de ideias, seja na religião, na politica e até no desporto ( leia-se futebol)!! É lamentável, mas, infelizmente, faz parte da condição humana e creio que nunca mudará!!

  3. A tolerância é a chave para as escolhas comportamentais e o Ser diferente nos sentimentos e no amor entre humanos.

  4. Quando se é “Soft”, – macio comportamentalmente – é possível absorver “Iras; Injúrias; Agressões e Ofensas diversas”. repelindo-as de seguida !
    Quando se é “Duro”, a dureza das coisas colidem brutalmente connosco e se estilhaçam em mil bocados !
    Qualquer Religião, mesmo baseada em crênças sobre-humanas, contem fanáticos intoleráveis que apenas se aceitam a eles próprios, e assim, neste tão “Desumano Mundo em que vivemos”, e que por certo nunca tanto a palavra “Democracia” ouviu, o Homem se “estilhaça” pelo Futebol, pela Política e pela defesa dos seus “Direitos”, sem que os seus “Deveres” sejam tidos como o equilíbrio da Cidadania.

  5. Vocês comentando de Portugal e eu aqui comparando com tudo o que está acontecendo no Brasil. Na realidade o ser humano é selvagem. Basta um gatilho para desvendar seu real caráter. Eu pensava conhecer meu povo mas estou estarrecida com o nivel de crueldade e bestialidade que tem manifestado. Os vencedores são sanguinários e escrevem a história. O que chamamos “maioria” é massa de manobra dos que.têm ou querem o poder. As “minorias” são sempre as que pagam o maior preço desse circo chamado Terra.

  6. Há um valente par de anos, tive acesso a processos existentes na Torre do Tombo relativos às “boas” acções da Inquisição. Li o que o diabo não lembra sobre as maldades que se fizeram. Nunca esqueci o processo da mulher que comentou que uma hóstia era parecida com uma fatia de nabo. Porque acho que a mulher tinha razão, peço a Deus que a tenha na Sua Santa Guarda.

  7. O massacre de Lisboa foi idêntico ao da Saint-Barthélemy em França entre cristãos et protestantes. É incrível o que pode fazer o fanatismo religioso.

  8. É curiosa a forma como, neste conjunto de comentários, se condena, veementemente, e bem, os excessos cometidos pela Igreja. Católica, nomeadamente desde o Séc XVI. Esta condenação é justa é pertinente.
    O que, contudo, me espanta, é o facto de se ir permanentemente buscar o passado para, de uma forma autofágica se falar das “maldades” próprias, como que para justificar o actualissimo terrorismo Islâmico, que, em todo o mundo e em cada momento, mata,persegue, oprime Cristãos, queima Igrejas, viola, incenderia bairros, sem que tal facto levante, neste tipo de “fóruns” o mínimo protesto ou condenação.
    Começo a crer que estes permanentes ataques ao nosso passado relativamente longínquo, tem por finalidade, tão só, branquear o Islamismo radical dos dias de hoje. Não tardará que, por este meu comentário, saiam aí à estacada, uma série de “democratas de longa data” a insultarem-me energicamente, apodando-me de Islamófobo, racista e radical de extrema direita. Àqueles que ainda conservam algum discernimento e independência de espírito, alerto para que estejam atentos a estes demagogos, defensores e adoradores de todos os “Cavalos de Tróia” que querem meter no meio de nós. Estes permanentes arautos na denúncia das “maldades dos Cristãos do passado, estão a tentar esconder o sol com uma peneira e tem objectivos encobertos e inconfessáveis.

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