Em certas montanhas do mundo, no verão, aparecem manchas de neve que não são brancas — são cor-de-rosa, quase vermelhas, como se alguém tivesse derramado xarope de morango sobre a neve.
Já foi observada por Aristóteles, na Antiguidade. E só relativamente há pouco tempo se percebeu exatamente o que a causa.
Não é sujidade – é vida
A cor rosada resulta de um florescimento de algas microscópicas chamadas Chlamydomonas nivalis, um tipo de alga verde que, curiosamente, quase nunca aparece verde na neve.
Estas algas são criófilas — literalmente, “amantes do frio” — e prosperam precisamente nas condições extremas da neve alpina no limiar do degelo, algo que a maioria dos outros organismos não conseguiria suportar.
Porque a alga verde aparece rosa
A explicação está num pigmento secundário vermelho, chamado astaxantina, que estas algas produzem além da clorofila comum a todas as plantas verdes.
Este pigmento funciona como um protetor solar natural, protegendo as células da alga da radiação ultravioleta intensa a grande altitude, e ajuda simultaneamente a absorver mais calor — uma vantagem para um organismo que precisa de aproveitar ao máximo cada momento de temperaturas ligeiramente acima de zero.
Um fenómeno com consequências para os glaciares
A cor mais escura da neve rosa não é apenas estética: reduz o albedo, ou seja, a capacidade da neve de refletir a luz solar de volta para o espaço.
Neve mais escura absorve mais calor e derrete mais depressa — e alguma investigação recente sugere que estas florescimentos de algas podem estar a contribuir de forma significativa para acelerar o degelo de glaciares em várias cordilheiras do mundo, num ciclo que se autoalimenta à medida que as temperaturas sobem.
Onde se pode encontrar
A neve cor-de-rosa aparece tipicamente entre os 3.000 e os 3.600 metros de altitude, em zonas onde a neve de invernos anteriores permanece durante todo o ano — foi já documentada na Sierra Nevada californiana, nos Alpes italianos e suíços, e em várias cordilheiras da América do Norte.
Apesar do aspeto convidativo, os especialistas desaconselham comê-la: além do sabor pouco agradável, pode causar problemas digestivos.
Uma pista visível de um planeta a aquecer
O que parece, à primeira vista, um fenómeno curioso e quase decorativo, é na verdade um indicador silencioso de como a vida microscópica pode influenciar processos climáticos à escala planetária — mais uma prova de como a natureza raramente separa o bonito do significativo.
Fontes
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