As baleias precisam de respirar ar, tal como nós. Mas, ao contrário de nós, nunca podem perder totalmente a consciência — se o fizessem, afogar-se-iam antes de conseguirem voltar à superfície.
Como é que um animal deste tamanho consegue dormir sem correr esse risco?
Adormecer só metade do cérebro
A solução chama-se sono unihemisférico de ondas lentas: apenas um dos hemisférios cerebrais da baleia entra verdadeiramente em sono profundo de cada vez, enquanto o outro permanece ativo e alerta.
O hemisfério acordado continua a controlar funções essenciais — a respiração consciente, característica de todos os cetáceos, e a vigilância do ambiente à volta — enquanto o outro hemisfério descansa.
O olho que fica aberto
Um sinal visível deste estado é o próprio olho: normalmente, o olho do lado oposto ao hemisfério que está a dormir permanece fechado ou semicerrado, enquanto o outro se mantém aberto, atento a predadores e obstáculos.
Ao fim de algum tempo, os hemisférios trocam de papel, permitindo que ambos os lados do cérebro recebam, ao longo do dia, o descanso de que precisam.
Porque não podem simplesmente adormecer como nós
Ao contrário dos humanos, cuja respiração acontece de forma automática mesmo inconscientes, as baleias e outros cetáceos são respiradores voluntários — têm de “decidir” ativamente respirar a cada vez, subindo à superfície para o fazer.
Um sono humano normal, completamente inconsciente, seria fatal para uma baleia: sem controlo consciente da respiração, afogar-se-ia em poucos minutos.
Como se vê uma baleia a dormir
Durante este estado de descanso, muitas baleias adotam um comportamento chamado “logging”: permanecem praticamente imóveis, à superfície ou perto dela, com o corpo a boiar como um tronco — daí o nome.
Estes períodos de descanso costumam durar entre 10 a 60 minutos de cada vez, repetidos várias vezes ao longo do dia, em vez de um único período de sono prolongado como acontece nos humanos.
Uma solução partilhada por outros animais aquáticos
O sono unihemisférico não é exclusivo das baleias — golfinhos, focas, leões-marinhos e até algumas aves migratórias de longa distância usam variações deste mesmo mecanismo, sempre que precisam de se manter parcialmente alerta durante o descanso.
Nunca totalmente a dormir, nunca totalmente acordadas
As baleias vivem, no fundo, num estado permanente de semi-vigília — um equilíbrio delicado entre o descanso que todo o corpo precisa e a vigilância constante que a vida no oceano exige, sem exceções.
Fontes
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