Viagens

Fortaleza de Sagres: a rosa-dos-ventos de 43 metros que ainda divide os historiadores

Fortaleza de Sagres: a rosa-dos-ventos de 43 metros que ainda divide os historiadores
Fortaleza de Sagres: a rosa-dos-ventos de 43 metros que ainda divide os historiadores

No extremo sudoeste de Portugal, a Ponta de Sagres avança pelo Atlântico como um tabuleiro de pedra rodeado de falésias. No topo, protegida por uma muralha, fica a Fortaleza de Sagres, um dos monumentos mais visitados do país.

O símbolo do lugar está no chão: um enorme círculo de pedras com 43 metros de diâmetro. Chama-se rosa-dos-ventos, mas ninguém sabe ao certo para que servia.

O promontório do Infante

Segundo o Visit Portugal, o Infante D. Henrique mandou fortificar este promontório no século XV. O Infante, figura central dos Descobrimentos, morreu em Sagres em 1460.

A ligação ao Infante alimentou durante séculos a ideia de uma «escola de Sagres», onde se teriam formado navegadores. Os historiadores tratam hoje essa imagem com prudência, por falta de provas documentais.

Uma fortaleza muitas vezes reconstruída

O que se vê hoje não é a fortaleza do século XV. Em 1587, o corsário inglês Francis Drake atacou e danificou Sagres, e o terramoto de 1755 provocou novos estragos graves.

A reconstrução começou em 1793, sob a direção do engenheiro militar José de Sande Vasconcelos. A muralha virada a terra, com o portão principal, é sobretudo dessa época.

A fortaleza foi classificada como Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910.

O mistério da rosa-dos-ventos

A rosa-dos-ventos é formada por pedras dispostas em 32 raios, a partir de um centro comum. Foi «redescoberta» em 1921, quando a terra que a cobria foi retirada.

Há duas grandes hipóteses para a sua função. Para uns, seria uma rosa-dos-ventos usada para orientação; para outros, um gigantesco relógio de sol. A própria data de construção, e a eventual ligação ao tempo do Infante, continuam em discussão.

O que ver dentro das muralhas

Além da rosa-dos-ventos, o recinto inclui:

  • a antiga Igreja de Nossa Senhora da Graça, pequena e caiada de branco;
  • os restos de construções militares e de apoio;
  • um percurso junto à falésia, com vistas sobre o oceano e o Cabo de São Vicente.

O vento é quase constante, mesmo no verão, e um casaco leve dá jeito em qualquer altura do ano. Junto às falésias, convém respeitar as zonas vedadas.

Horários e bilhetes

O Visit Portugal indica horários que variam ao longo do ano. Em outubro, a fortaleza abre das 9h30 às 18h30, e de novembro a março das 9h00 às 17h30. Encerra a 1 de maio e a 25 de dezembro.

O bilhete normal passou de 3 para 10 euros em 2025, segundo o jornal Postal do Algarve. Em 2023, a fortaleza foi o segundo monumento mais visitado do país, com mais de 427 mil visitantes.

Os residentes em Portugal têm direito a um número de dias de entrada gratuita por ano nos monumentos nacionais. Como as regras e os preços podem mudar, convém confirmá-los antes da visita.

Completar o dia

Sagres fica a poucos quilómetros do Cabo de São Vicente, e os dois lugares visitam-se facilmente no mesmo dia. O pôr do sol no cabo é um dos momentos mais procurados da costa algarvia.

Para quem fica mais tempo, as melhores praias de Sagres e arredores vão de enseadas abrigadas a areais virados ao Atlântico.

Sobre o autor

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.