O Governo quer baixar as taxas de IRS dos seis primeiros escalões já sobre os rendimentos de 2026. Para um salário bruto de 1500 euros por mês, as simulações oficiais apontam para uma poupança de 65,32 euros por ano.
A medida ainda não é lei. Está no Parlamento como Proposta de Lei n.º 108/XVII/2, uma autorização legislativa que deu entrada a 21 de setembro.
As taxas atuais e as propostas, escalão a escalão
Os limites dos escalões não mudam. Mudam apenas as taxas, que descem entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais:
| Escalão | Rendimento coletável anual | Taxa atual | Taxa proposta |
|---|---|---|---|
| 1.º | Até 8342 € | 12,5% | 12,2% |
| 2.º | 8342 a 12 587 € | 15,7% | 15,2% |
| 3.º | 12 587 a 17 838 € | 21,2% | 20,7% |
| 4.º | 17 838 a 23 089 € | 24,1% | 23,6% |
| 5.º | 23 089 a 29 397 € | 31,1% | 30,6% |
| 6.º | 29 397 a 43 090 € | 34,9% | 34,6% |
| 7.º a 9.º | Acima de 43 090 € | Sem alteração | Sem alteração |
Quem ganha mais também beneficia. Como o IRS é progressivo, a parte do rendimento que cai nos primeiros escalões passa a pagar menos, mesmo que o resto fique numa taxa que não muda.
Quanto se poupa: as simulações do Governo
O documento oficial do Governo simula o caso de um trabalhador ou pensionista sozinho, sem dependentes, com 14 pagamentos por ano:
| Salário ou pensão bruta mensal | Poupança por ano |
|---|---|
| 1000 € | 12,10 € |
| 1500 € | 65,32 € |
| 2000 € | 100,44 € |
| 2500 € | 133,28 € |
| 3500 € | 171,50 € |
Num casal com dois filhos e salários de 1500 e 1300 euros, a poupança calculada é de 116,64 euros por ano. Em agregados com rendimentos baixos, em que o imposto já era zero, não há ganho.
A conta feita sobre o rendimento coletável
Para quem já sabe o rendimento coletável, que aparece na nota de liquidação do IRS, a diferença pode ser calculada aplicando as taxas a cada parcela. Estes são os valores do imposto antes de deduções à coleta:
| Rendimento coletável | Imposto com as taxas atuais | Com as taxas propostas | Diferença |
|---|---|---|---|
| 10 000 € | 1303,06 € | 1269,74 € | 33,32 € |
| 15 000 € | 2220,77 € | 2162,45 € | 58,32 € |
| 20 000 € | 3343,47 € | 3260,15 € | 83,32 € |
| 30 000 € | 6260,15 € | 6128,04 € | 132,11 € |
Um rendimento coletável de 20 000 euros, por exemplo, paga menos 83 euros. É pouco menos de 7 euros por mês. As deduções (saúde, educação, despesas gerais) e o mínimo de existência continuam a contar como antes.
O que ainda falta acontecer
- A proposta tem de ser aprovada na Assembleia da República. Só depois o Governo pode alterar o Código do IRS.
- Segundo o comunicado do Conselho de Ministros de 17 de setembro, a medida aplica-se aos rendimentos de 2026 e abrange quase 3 milhões de famílias.
- O efeito final aparece na declaração de IRS entregue em 2027, por via de um reembolso maior ou de menos imposto a pagar, ou antes disso se as tabelas de retenção na fonte forem ajustadas.
Para aumentar o reembolso, vale a pena rever também o que ainda pode ser deduzido até ao fim do ano.
Informação verificada em outubro de 2026. Confirme sempre junto da entidade oficial.
Fontes
- Governo: Redução do IRS 2026, taxas e simulações (17/09/2026)
- Comunicado do Conselho de Ministros de 17 de setembro de 2026
- Assembleia da República: Proposta de Lei n.º 108/XVII/2