Comprado em flor numa banca de dezembro, o cato de Natal enche a sala de cor durante semanas. No ano seguinte, a mesma planta cresce, ganha segmentos novos e parece saudável, mas a flor não aparece. É uma das queixas mais comuns de quem cuida destas plantas em casa.
Na maioria dos casos, o problema não está na rega nem no adubo. Está na luz e na temperatura dos meses de outono, precisamente quando a planta prepara os botões.
Um cato que não vem do deserto
Apesar do nome, o cato de Natal, do género Schlumbergera, não é uma planta de deserto. Na natureza, cresce em florestas húmidas, agarrado a troncos e rochas, à sombra de árvores maiores.
Isso explica as suas preferências. Gosta de luz indireta, não tolera sol direto forte e precisa de mais água do que os catos comuns durante a fase de crescimento.
As noites longas que fazem nascer os botões
O cato de Natal forma os botões quando os dias encurtam e as noites ficam mais frescas. Segundo a Royal Horticultural Society, a planta precisa de dois períodos de temperaturas mais baixas, entre 12 e 15 graus, para florir bem.
O primeiro vai de meados de setembro até os botões se formarem. O segundo acontece depois da floração, entre o fim de janeiro e março.
A mesma instituição lembra que a planta deve ficar longe de luzes artificiais acesas à noite. Uma sala iluminada até tarde pode impedir que a planta “perceba” que os dias estão a ficar mais curtos.
Como cuidar no outono, passo a passo
Os meses de setembro a novembro são decisivos. Alguns cuidados aumentam muito a probabilidade de floração:
- Colocar o vaso numa divisão fresca, como um quarto pouco aquecido ou uma marquise protegida do frio intenso
- Escolher uma janela com luz indireta, por exemplo virada a nascente
- Evitar que a planta receba luz de candeeiros durante a noite
- Reduzir a rega, deixando secar os primeiros centímetros de terra entre regas, mas sem deixar o vaso secar por completo
- Suspender o adubo durante este período de repouso.
Quando os botões aparecem nas pontas dos segmentos, a planta pode voltar a um local mais visível. A partir daí, convém mexer-lhe o menos possível.
Porque caem os botões
Há poucas coisas tão frustrantes como ver os botões caírem antes de abrir. A RHS aponta como causa mais comum as variações de temperatura, com dias demasiado quentes e noites demasiado frias.
O excesso de água durante o repouso também contribui. Mudar o vaso de sítio várias vezes, ou colocá-lo junto a um aquecedor ou a uma porta com correntes de ar, aumenta o risco.
Terminada a floração, a planta entra no segundo período fresco e com menos rega. Na primavera e no verão, pode ser regada com mais regularidade, mantendo a terra ligeiramente húmida, mas nunca encharcada.
Maio é uma boa altura para multiplicar a planta. Basta separar dois segmentos pela articulação, deixar secar a ferida durante algum tempo e colocá-los num substrato leve.
O erro mais comum
O erro mais frequente é tratá-lo como um cato de deserto, ao sol forte e quase sem água. O resultado são segmentos avermelhados, enrugados e sem flor.
O excesso oposto também é perigoso. Como acontece com outras plantas suculentas, a água parada no fundo do vaso apodrece as raízes, como explica o artigo sobre os erros que fazem os catos apodrecer.