Para quem viaja entre Coimbra e a Figueira da Foz, há uma silhueta impossível de ignorar. No alto de uma colina, sobre os campos de arroz do Baixo Mondego, as muralhas do Castelo de Montemor-o-Velho estendem-se ao longo de centenas de metros.
É um castelo de grandes dimensões e guarda uma história longa, que passa por mouros e cristãos, por infantas medievais e por um dos episódios mais trágicos da história de Portugal.
Da fortaleza islâmica à praça cristã
Segundo a Direção-Geral do Património Cultural, a origem do castelo é provavelmente islâmica, e os elementos militares mais antigos identificáveis datam do século XI. Foi conquistado pelos cristãos em 1064, pouco depois de Coimbra.
Nos reinados de D. Afonso Henriques e D. Sancho I, tornou-se a principal praça do Baixo Mondego. A torre de menagem é anterior a 1211. O castelo está classificado como Monumento Nacional desde 1910.
O Paço das Infantas e a igreja
Dentro das muralhas ficam as ruínas do Paço das Infantas. O nome vem das infantas Teresa e Mafalda, filhas de D. Sancho I, que o remodelaram. Mais tarde, o paço foi também residência do infante D. Pedro, regente do reino no século XV.
Ao lado ergue-se a Igreja de Santa Maria da Alcáçova, construída sobre uma antiga mesquita. Conserva uma inscrição de 1128 e foi reformada no período manuelino, numa obra atribuída a Francisco Pires.
A decisão que mudou uma história de amor
Segundo a Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, foi no Paço das Infantas que, a 6 de janeiro de 1355, se tomou a decisão de matar Inês de Castro. A decisão foi do rei D. Afonso IV, reunido com os seus conselheiros.
Inês, companheira do infante D. Pedro, foi morta no dia seguinte, em Coimbra. O episódio marcou a história e a literatura portuguesas e continua a atrair visitantes ao castelo.
Um erro comum é atribuir a decisão a D. Pedro, o futuro rei. Foi precisamente contra a vontade dele que o pai ordenou a morte de Inês.
A vila e os arrozais
Do alto das muralhas, a vista estende-se pelos campos do Baixo Mondego. É a terra do Arroz Carolino do Baixo Mondego, um produto com Indicação Geográfica Protegida.
Montemor-o-Velho é também conhecida por dois motivos muito diferentes. O Citemor, festival de artes performáticas nascido em 1974, realiza-se todos os verões entre a vila e Coimbra. E o Centro Náutico, com um plano de água de 2000 metros, recebe provas internacionais de remo e canoagem.
Informações para a visita
Segundo a Câmara Municipal, consultada em setembro de 2026, o percurso de visita do castelo e a exposição permanente estão abertos de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h30. A entrada é gratuita.
Alguns conselhos para aproveitar melhor a visita:
- subir ao fim da tarde, quando a luz realça a cor dos arrozais;
- usar calçado confortável, porque o recinto é amplo e o piso irregular;
- reservar tempo para descer à vila e ao seu centro histórico;
- confirmar os horários em feriados antes de sair de casa.
Coimbra, a poucos quilómetros, completa bem o passeio, com as suas lendas e histórias misteriosas. As informações de visita estão no site da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.
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