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Freixo de Numão: castelos e ruínas romanas para descobrir no Norte de Portugal

Freixo de Numão: castelos e ruínas romanas para descobrir no Norte de Portugal
Freixo de Numão: castelos e ruínas romanas para descobrir no Norte de Portugal

Freixo de Numão pertence ao concelho de Vila Nova de Foz Côa, numa zona onde o Douro e o Côa se encontram e onde as vinhas perdem no horizonte. As casas são de granito, o centro histórico tem o largo do Pelourinho bem conservado, e o Museu da Casa Grande — instalado num solar barroco do século XVIII com brasão na fachada — é o ponto de partida natural para perceber o que este território guarda.

O que guarda é considerável: desde o Calcolítico ao período medieval, passando pelos romanos, há ocupação humana documentada e visitável em vários pontos da vila e dos seus arredores.

O Castelo Velho e o recinto do Calcolítico

O Castelo Velho de Freixo de Numão fica num esporão sobranceiro aos vales do Douro e do Côa, com domínio visual amplo sobre o território em redor.

É um recinto monumental do Calcolítico — terceiro milénio antes de Cristo — que os arqueólogos consideram ter sido um dos povoados mais importantes do noroeste peninsular, beneficiando de condições naturais de defesa que a posição geográfica oferecia sem necessidade de grandes construções adicionais.

Do miradouro do Castelo Velho, a vista sobre a paisagem do Côa explica imediatamente porque alguém escolheu este ponto para construir.

As Ruínas do Prazo e as villas romanas

As Ruínas do Prazo têm uma janela temporal mais longa do que o Castelo Velho — ocupação desde a pré-história até à Idade Média, com a villa romana do século I ao século V como núcleo central.

É um dos conjuntos arqueológicos mais densos e bem preservados do país, com estruturas legíveis que permitem perceber a organização do espaço sem precisar de reconstituições.

Na região existem outras villas romanas visitáveis ou identificadas: Rumansil I, Zimbro II, Colodreia/Escorna Bois, Forno-Anta da Colodreia, Regadas e Atalho — um conjunto que transforma Freixo de Numão numa das zonas com maior concentração de arqueologia romana do interior norte.

O Circuito Arqueológico

Para quem quer ver o máximo em menos tempo, o Circuito Arqueológico de Freixo de Numão liga os principais sítios visitáveis: o Prazo, o Castelo Velho, Rumansil I, Zimbro II, Colodreia, a Calçada Romana das Regadas e o Centro Histórico da vila.

A sinalética existe e a acessibilidade à maioria dos pontos está facilitada — o Museu da Casa Grande tem informação de contexto para preparar a visita.

O Museu da Casa Grande

O solar barroco do século XVIII esteve em ruínas durante boa parte do século XX, depois de entrar em decadência. Foi adquirido pela Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Freixo de Numão e transformado em espaço museológico com espólio arqueológico e etnológico da região.

O brasão na fachada sobreviveu às ruínas — e ainda lá está, como testemunho silencioso de quem ali viveu.

O vinho

Freixo de Numão fica na região do Douro. As vinhas que se veem da estrada não são decoração — são a economia que sustenta boa parte do território. Antes de sair, a tradição local manda brindar com o que a região produz.

Freixo de Numão não é uma vila que se visita por uma razão específica. Visita-se porque tem dez mil anos de história concentrados num território pequeno, bem conservada e acessível, com granito nas paredes e vinho nas adegas — e porque o Circuito Arqueológico ainda dá para fazer num dia inteiro sem filas nem multidões.

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