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7 casas tradicionais portuguesas que o vão fazer recuar no tempo

São parte da paisagem e da cultura de Portugal e dos portugueses e fazem-nos recordar memórias de outros tempos: casas tradicionais portuguesas.

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casas tradicionais
Estorãos (Ponte de Lima)

 

Antes da uniformização trazida pela Revolução Industrial, cada povo construía as suas habitações rurais com os materiais que a Natureza punha à sua disposição: a madeira, o granito, o xisto, o basalto, a alvenaria caiada… Isso é particularmente visível em Portugal – um país não muito grande mas de admirável diversidade paisagística e cultural, reflectida nas casas tradicionais de cada região. As casas tradicionais portuguesas fazem parte da nossa paisagem e da nossa história. A sua construção obedecia a 3 factores essenciais: o tamanho da família, o material de construção disponível nas redondezas e a adaptação às condições do clima.

Casas típicas do Norte de Portugal
Casas típicas do Norte de Portugal

Num país tão pequeno como Portugal, existe uma grande diversidade paisagística e climática o que originou, naturalmente, uma grande diversidade de casas tradicionais portuguesas. No Norte, elas são sobretudo feitas de granito e adaptadas ao facto de nela também se resguardarem os animais e os produtos agrícolas. Não é de estranhar, por isso mesmo, que a grande maioria das casas do norte do país (Minho e Trás-os-Montes) tenha dois pisos, sendo o rés-do-chão para acomodar o gado e produtos agrícolas e o primeiro andar para viver. No interior centro, a abundância de xisto na paisagem montanhosa originou a construção de casas utilizando este material, o que resultou numa harmonia com o ambiente envolvente que hoje atrai milhares de turistas todos os anos que rumam a estas paragens para passar uns dias nas suas aldeias de xisto.

Casas típicas do Sul de Portugal
Casas típicas do Sul de Portugal

No Algarve e no Alentejo, menos montanhosos e sem acesso a rochas como o granito e o xisto, predominam as casas feitas de cal e taipa e, sobretudo, adaptadas ao calor intenso que se faz sentir na região. Na região saloia, o calcário é a rocha mais utilizada, dada a abundância da mesma na zona oeste. Um caso particular é o dos Açores. Sendo uma ilha de origem vulcânica, a rocha predominante é o basalto e foi esta a escolha natural para a construção das casas dos açorianos.

Casas típicas das Ilhas
Casas típicas das Ilhas

E por fim, existem casos mais específicos ou isolados, como os palheiros da Costa Nova (adaptados às necessidades dos pescadores) ou as casas típicas de Santana, na Ilha da Madeira, cujo telhado é forrado de palha. Esta enorme diversidade de casas típicas portuguesas é algo que nos enche de orgulho e que urge preservar. A modernização e a globalização trouxeram novas técnicas de construção que proporcionam melhores condições de vida para os habitantes das casas. No entanto, não podemos esquecer as nossas raízes e, preservar as casas tradicionais portuguesas, é de extrema importância se queremos manter viva a nossa memória histórica e a autenticidade do nosso povo. Estas são algumas das casas típicas portuguesas.

 

1. Casa de calcário (Zona Oeste)

A pedra escura usada em quase todas as outras regiões dá lugar, na região saloia, a casas caiadas de branco, não tanto como protecção contra o calor (como se faz no sul) mas, sobretudo, contra o vento forte e corrosivo, que a proximidade do mar carrega de salinidade. Os telhados vermelhos de quatro águas e as aduelas de pedra nos vãos compõem a silhueta típica destas casas que, frequentemente, têm um alpendre e um quintal, protegido por um muro.

Aldeia típica José Franco
Aldeia típica José Franco

O vento (não o frio, nem a chuva ou a neve) é o elemento definidor deste tipo de casa. Fácil de compreender se nos lembrarmos de que esta região, da Ericeira à Malveira da Serra, é varrida por ventos fortes e apresentava uma elevada concentração de moinhos de vento, alguns dos quais ainda hoje visíveis perto de Fontanelas, por exemplo.

 

2. Casa de granito (Norte e Interior Centro)

Se é verdade que, em épocas recuadas, cada população construía as suas casas com os materiais disponíveis na sua região, o norte de Portugal teve o privilégio de ali ter o granito, porventura a mais nobre das pedras quando se trata de construir, seja um templo, uma fortaleza ou uma casa.

Estorãos – Ponte de Lima

E, deste modo, o mais humilde dos lares, o mais simples dos celeiros, dos estábulos ou das adegas adquire uma austera e natural nobreza que lhe é conferida pelo granito. De facto, em Portugal, quase tudo o que até nós chegou de tempos imemoriais, envolto em lenda e ecos da História, é granítico. Casas indestrutíveis, para sempre, como se quer a tradição de um povo.

 

3. Casa Madeirense (Ilha da Madeira)

A tradicional forma triangular terá tido origem no facto de antigamente os agricultores aproveitarem as cavernas, ou “furnas”, como abrigo, armazém ou até residência temporária. Bastava, nesse caso, uma fachada e uma cobertura de colmo, para rematar o abrigo encaixado na rocha. Com o tempo, esta estrutura acabou por abandonar a gruta e autonomizar-se como construção característica, sobretudo, da vertente norte da ilha.

Santana
Santana

Paredes laterais muito baixas suportam um telhado de duas águas, coberto de colmo, que por ser tão inclinado se torna muito alto e permite a existência de um segundo piso mais estreito. As cores vivas, tão ao gosto da população das ilhas, parecem intensificar-se na verdura natural da paisagem madeirense, sempre florida e sempre vivaz.

 

4. Casa de xisto (Interior Centro e Norte)

Nas zonas montanhosas do centro-norte do país, o clima é agreste e a terra é pobre. Para construir uma casa não há muito mais do que madeira – para as varandas e os sobrados – e a rocha da região, o xisto, para tudo o resto – as paredes, as escadas e até os telhados, com placas laminares.

piódão
Piódão (Alfredo Mateus)

Esta casa é um prodígio de engenho – aquecida pela presença dos animais, na “loja”, e com aberturas reduzidas ao mínimo, para evitar as perdas de calor – e demonstração da coragem de um povo na luta contra a pobreza e as condições mais adversas. Uma casa que hoje nos parece primitiva mas que traduz uma admirável solução arquitectónica, perfeitamente integrada na sua paisagem.

 

5. Casa de terra (Alentejo e Algarve)

Tal como no Médio Oriente e outras zonas do globo em que chove pouco, também no sul de Portugal existem casas de terra, a qual é amassada e compactada dentro de taipais, que são retirados depois de as paredes adquirirem a consistência definitiva, para então serem caiadas. A cal evita a erosão das paredes de terra e, sobretudo, reflecte a radiação solar que é tão intensa nestas regiões.

Alentejo
Alentejo

Paredes muito espessas (também porque a ausência de materiais rígidos na sua construção a isso obriga) e janelas muito pequenas completam a protecção contra o calor. Telhados, por vezes, com uma só água e terraços revelam que a chuva não é, de facto, um problema a ter em conta. A simplicidade da forma e a brancura total são equilibradas por apontamentos de cor, ao gosto do proprietário e, sobretudo, no rendilhado trabalho em cerâmica que torna tão típicas as chaminés algarvias.

 

6. Casa de basalto (Açores)

Tal como a Madeira, a Islândia e todas as ilhas de origem vulcânica, o Arquipélago dos Açores é rico em basalto – uma rocha cuja dureza e impermeabilidade a elegeram como primeiro material de construção numa terra em que o oceano faz sentir a sua presença omnipotente na forte salinidade do ar e nos ventos constantes e agrestes.

cuada
Cuada

Janelas e portas de cores vivas contrastam com a pedra negra das construções rurais, emolduradas por prados verdes e pelo imenso azul de céu e mar. Simples, robustas e genuínas. Tão parte da própria Natureza quanto é possível sê-lo.

 

7. Casa de madeira (Costa Nova)

No centro litoral do país, encontramos as casas da Costa Nova, também muito pitorescas. Estes palheiros coloridos começaram por ser construídos à beira-mar por pescadores, sobretudo para guardar as redes e todos os materiais de pesca. Começaram por ter apenas uma única divisão e, posteriormente, foram-se constituindo como casas de habitação, já com várias divisões.

Costa Nova
Costa Nova

Actualmente, existem poucos palheiros de madeira nesta região. Apesar de manter algumas das características arquitectónicas do passado, hoje são quase todas em cimento. Porém, estas casas típicas da Costa Nova continuam a ser tema de conversa em qualquer lugar do mundo.

 

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